20 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro escolhe ex-superintendente da PF em Alagoas no lugar de Ramagem

Escolha é vista internamente como uma medida temporária, após crise política iniciada com a saída de Moro e liminar do STF

Barrado pelo STF para assumir como diretor-geral da Polícia Federal, Alexandre Ramagem sugeriu para o presidente Jair Bolsonaro um novo nome: Rolando Alexandre de Souza.

A escolha foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta segunda-feira (4). Rolando é atualmente secretário de Planejamento da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), comandada por Ramagem.

Rolando assinou termo de posse na manhã de hoje cerca de 30 minutos depois de Jair Bolsonaro confirmar pelo Twitter a nomeação.

Superintendente em Alagoas

Apesar de não estar entre os mais experientes na casa, foi ele quem “desenrolou” o banco de dados Atlas, que reúne informações estratégicas para facilitar investigações da PF, narrou um amigo.

O delegado é visto na PF como alguém muito pró-ativo e que poderia fazer uma boa gestão. O maior exemplo foi sua gestão como superintendente da PF em Alagoas (entre 2018 e 2019).

Em setembro do ano passado, foi para a Abin a convite de Ramagem. Ele também foi chefe do Serviço de Repressão a Desvio de Recursos Públicos e passou pela Divisão de Combate a Crimes Financeiros e pela superintendência da corporação em Rondônia.

Crise com Moro, PF e STF

A escolha é vista internamente como uma medida temporária. ​O comando da PF foi o estopim para a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

Bolsonaro demitiu Maurício Valeixo, escolhido por Moro, da diretoria-geral da PF. Moro deixou o cargo acusando Bolsonaro de querer interferir na atuação da polícia.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, concedeu liminar a uma ação protocolada pelo oposicionista PDT, que alegou “abuso de poder por desvio de finalidade”.

Bolsonaro reagiu e chamou de “política” e de “canetada” a decisão do ministro. “Eu respeito a Constituição e tudo tem um limite. Se Ramagem não pode estar na Polícia Federal, não pode estar na Abin. No meu entender, uma decisão política”, concluiu o presidente.