
A Turma do Gabiru está em preparação para uma grande festa de fim de ano, no aconchego do “Sítio de Mainha”, propriedade de “Rui Caceteiro”, ex-namorador de misses nordestinas.
Ao tempo em que a festa é organizada pelo “promoter” Davan Tonelada, Paulo Motosserra tenta emplacar nos custos uma taxa, entre os participantes, para que sejam todos integrantes de um bolão da megasena da virada, cujo prêmio a ser sorteado deverá ir além de R$ 850 milhões, segundo relatório da Caixa Econômica Federal.
A turma ainda não aceitou a taxa, mas a cobrança já começou a ser feita. O motivo da reação do pessoal está no fato da falta de transparência do processo. Outros bolões já foram feitos e até premiação saiu, segundo o Batoré, mas ninguém viu a cor do dinheiro. Enquanto isso, o organizador já montou até uma loja de carros. Diariamente, diz o próprio Davan, desfila em um carro novo pelas ruas de um condomínio de luxo da cidade. Diante disso, grandes olhos estão voltados para ele.
O primeiro a reagir contra a taxa da loteria foi o Considerado. Isso porque quando soube da história do bolão tentou captar o recurso da aposta com a avó, dona Nildinha. Mas bateu com os burros n’água. Ela perguntou para que ele queria R$ 150,00 extras, se já tinha levado R$ 600,00 de mesada na semana passada? Quando o jovem disse que era para a taxa do bolão, logo ouviu o sermão:
-Não seja idiota, Considerado. Eu já estou sabendo que esse bolão é a maior barca furada. Só quem se dar bem é o organizador. O Zé, meu Fumacê lindo, já me alertou para proibir você de entrar nessa história.
-Oh vó, e esse porra desse Fumacê tem nada a ver com isso? Ele é meu pai por acaso? – Reagiu puto o Considerado.
-Não é seu pai porque você nunca conheceu o seu. Mas poderia ter sido se você tivesse saído de mim; mas saiu da desnaturada da minha filha. -Lembrou Nildinha.
-Respeite a minha mãe e sua filha, vó. – Falou ele mais manso.
Diante disso, Nildinha sugeriu ao neto que se desligasse um pouco dessa Turma do Gabiru e fosse arejar a cabeça nos estandes da Bienal Internacional do Livro, que acontece no Centro de Convenções, em Maceió. Ele aceitou a ideia até porque também anda meio revoltado com o grupo. Disse a avó que estava chateado com o Pastor que recebeu um título de Comendador de JG, cidade da região norte, mas sequer lhe convidou para a festa. Foi só a elite: Empreiteiro OS, Purê, Corregedor MP, Magistrado, Dudu Santinha e outros mais bem aquinhoados.
Na verdade, segundo disse o Considerado, todos esses citados foram interessados em meter a mão no “balaio de araçá”, que o novo comendador recebe da Igreja Neopentecostal Araçás dos Últimos Dias. Mas, além disso, das outras cestas guardadas frutos da lucrativa lavagem.
-O que é isso de lavagem meu filho? – Questionou Nildinha.
-Ele também é criador de porcos penicílinicos. -Respondeu.
-Valei-me meu Jesus de Praga… Acabe logo com isso e vá para Bienal, menino… -Estimulou Nildinha.
Considerado achou por bem seguir o conselho da vó que lhe sustenta. E disse a ela que tinha um amigo lançando um livro no evento.
-E quem é ele?
-É o PP.
-Esse não conheço, mas deve ser mais um metido que nem esse comendador da lavagem…
-Tenha calma vó.
-E o que fala nesse livreto, esse tal PP?
-Ele conta uma história de uma mega festa que viveu em um grande hotel em Brasília, na época da ditadura, patrocinada para uma turma de alagoanos por um certo general Mário…
-Eitaaa… É bomba. E eu acho que conheço essa história. O que diz mais?
-Que nosso amigo “Oio de Kombi” era o organizador da festa…
-Epa! Agora Já sei de cor…
-E você sabe o quê se nem sequer conhece o PP?
–Sei de tudo e muito mais. Esse seu amigo correu nu pelos corredores do hotel no meio de várias raparigas. Ele e outros conhecidos. No caso dele, até deram-lhe uma borracha para apagar as histórias que estava escrevendo na época. Lembro muito bem. E ele era um gatinho…
-Oh vó, como peste a senhora sabe de tudo isso?
-Porque eu também estava lá!














