Crise familiar ameaça campanha presidencial de Flávio Bolsonaro

 

A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) atingiu um nível considerado sem precedentes dentro do Partido Liberal (PL) e representa uma ameaça concreta aos planos da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com apuração da coluna, há total incerteza sobre quando e se Michelle voltará a atuar publicamente em favor do enteado.

A agenda de eventos que o partido preparava para a ex-primeira-dama está paralisada. Um ato previsto para o início de fevereiro no Tocantins já foi cancelado, seguindo o cancelamento de um encontro do PL Mulher no Rio de Janeiro em dezembro. A indefinição sobre a participação de Michelle é vista como um complicador para a campanha de Flávio.

O desgaste familiar se intensificou com a decisão partidária de que a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), aliada de Michelle, não poderá concorrer ao Senado por Santa Catarina. A vaga foi destinada a Carlos Bolsonaro (PL-RJ), enquanto a outra ficou com Esperidião Amin, aliado do governador Jorginho Mello. Caroline deve migrar para o partido Novo. Michelle manifestou publicamente seu apoio à deputada, compartilhando uma publicação que a chamava de “nossa senadora”.

A opção por Carlos em detrimento de Caroline inflamou ainda mais a briga, que já vinha em profundo desgaste desde o final de 2025. Na ocasião, Jair Bolsonaro escolheu o filho Flávio como candidato à Presidência sem comunicar Michelle previamente, o que a deixou irritada por saber da decisão pelo anúncio público do enteado. Interlocutores afirmam que Michelle cultivava o desejo de disputar a Presidência, mesmo diante de um veto do marido.

O ápice do conflito ocorreu em novembro, após a prisão de Bolsonaro, quando Michelle discursou defendendo a união do grupo em uma reunião partidária. Flávio Bolsonaro chegou ao local após seu discurso e foi taxativo: “Michelle, eu tô nisso desde 2002, coordenando as campanhas do meu pai. Então quem fala em nome do meu pai sou eu”.

A tensão aumentou quando Michelle, em viagem ao Ceará, criticou a aproximação do PL com Ciro Gomes. Ela foi publicamente repreendida pelos enteados e por integrantes do partido, que posteriormente recuaram do acordo com Ciro. Dias depois, no entanto, veio o anúncio da candidatura de Flávio, aprofundando a ruptura familiar. Agora, especula-se sobre como ficará a dinâmica familiar quando a campanha eleitoral for oficialmente autorizada, principalmente se Michelle continuar a aparecer publicamente ao lado de Caroline de Toni.

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