Defesa de Daniel Vorcaro entrega anexos de delação premiada à PGR e à PF

Cada anexo deve tratar de um episódio diferente de irregularidades do ex-banqueiro, com nomes de envolvidos e provas

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou nesta quarta-feira (6) a proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). A entrega dos anexos, que tramitará sob sigilo, precede a discussão sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos ao Estado.

Cada anexo deve tratar de um episódio diferente de irregularidades cometidas por Vorcaro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação de meios de prova. A partir desses elementos, a defesa e os investigadores passarão a discutir condições como redução e regime de pena. Até o momento, o entendimento de autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial. Também se discutirá valores a serem pagos por Vorcaro ao Estado, como multa ou ressarcimento.

Histórico da prisão e investigação

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master. Foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março de 2026, em fase da operação Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.

Em 19 de março, ele foi transferido para a Superintendência da PF no Distrito Federal para discutir os termos da delação. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do inquérito sobre irregularidades do Master. A defesa de Vorcaro tem ido diariamente à sede da PF em Brasília, onde os relatos do ex-banqueiro são colhidos.

Cunhado também busca delação

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso durante as investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada. O caso Master apura fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e tentativa de compra do Banco de Brasília (BRB). Nomes de ministros do STF e políticos aparecem nas conversas do banqueiro.

ÚLTIMAS
ÚLTIMAS