
Deputados não descartam que o relator Guilherme Derrite (PP-SP) apresente até terça-feira (18) a quinta versão do PL Antifacção, após quatro relatórios diferentes em seis dias de tramitação. A sucessão de textos tem gerado insatisfação entre bancadas e governadores, que criticam a falta de diálogo e a instabilidade do projeto.
A condução do processo por Derrite provocou desgastes até com aliados. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou publicamente: “Quem opera a segurança pública são os estados. Não adianta fazer um projeto sem ouvir os estados”. Parlamentares relatam que o relator discutiu as versões iniciais apenas com interlocutores específicos, ignorando pedidos de reunião de lideranças partidárias.
Críticas transversais
A oposição tem sido contundente em suas avaliações. Rogério Correia (PT-MG) afirmou que Derrite “vai ter que fazer 13 pareceres para chegar a uma coisa boa”, enquanto Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou como “escandalosa” a tentativa de limitar a atuação da Polícia Federal. Glauber Braga (PSOL-RJ) defendeu a substituição do relator: “Ele está fazendo o pior tipo de politização e está fazendo de tudo para enfraquecer a Polícia Federal”.
A instabilidade do texto obrigou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a adiar a votação e convocar sucessivas reuniões com líderes. A percepção geral é que, enquanto Derrite continuar alterando trechos centrais do projeto sob pressão política, uma quinta versão é inevitável antes da votação prevista para terça-feira.














