13 de maio de 2021Informação, independência e credibilidade
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É preciso falar do Salgadinho e dos graves problemas de esgotamento sanitário de Maceió

Direito básico assegurado pela Constituição de 1988, metade da população da capital alagoana ainda não tem acesso a saneamento. Até quando?

Ilustração: Lorena Firmino

Maceió é uma das capitais brasileiras com menor índice de saneamento, quando o enfoque é o esgotamento sanitário – que envolve a infraestrutura de coleta, tratamento e destinação final dos esgotos. Mais da metade dos prédios da capital alagoana não dispõe de coleta adequada.

A grosso modo, pode-se dizer que metade da população da cidade não tem saneamento. E para se ter uma ideia do que isso significa, nem precisa enveredar pelos grotões das regiões periféricas, onde as condições de miséria chegam a níveis desumanos. Basta um passeio à beira-mar, passando pela foz do Riacho Salgadinho, na Avenida da Paz, região central de Maceió, para ver de perto, em formas, cores e odores, o reflexo dessa dura realidade.

A velha cena degradante do riacho que chega ao mar, arrastando, de sua passagem por vários bairros, todo tipo de imundície de esgotos, lixo comum, descartes de móveis e eletrodomésticos e outras tantas coisas lançadas em suas margens emparedadas por construções irregulares e sem saneamento, tudo isso parece ter sido relegado ao conformismo coletivo – do povo e dos poderes.

De tanto esperançar solução, parece que a população desesperançou e aquele esgoto que corre a céu aberto se “naturalizou” como algo que não tem jeito. Assim vem se comportando o senso comum e assim tem sido também nos meios político-administrativos. Promessa de muitas campanhas, tema de muitos debates políticos, a despoluição do Salgadinho praticamente não entrou na pauta da disputa eleitoral, na última campanha pela prefeitura de Maceió.

E tem coisa pior: O Salgadinho não é o maior agravante da precária situação de saneamento de Maceió. Talvez seja o mais visível, pela sua localização. Mas a lagoa Mundaú em toda a sua extensão no perímetro urbano da capital, sobretudo na região do Dique Estrada, onde famílias vivem em moradias subnormais, flutuando sobre os esgotos que ela recebe, é uma situação ainda mais alarmante que requer mobilização social e vontade dos governantes.

Temos que recolocar essas questões na pauta política com a importância e a urgência que elas exigem. Saneamento – em todas as suas vertentes (abastecimento de água, drenagem, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos e esgotamento sanitário) – é um direito básico de todo cidadão, assegurado há mais de 30 anos pela Constituição Federal e regulamentado em vários dispositivos complementares. Um direito que vem sendo sonegado a grande parcela população – em Maceió e em grande parte do país. O Brasil tem pouco mais de 60% de cobertura de rede coletora e de tratamento de esgotos. Isso significa que cerca de 40% da população brasileira não tem saneamento.

Na live desta quinta-feira (18), no instagram @Eassimnotícias, vamos falar sobre “O Salgadinho, a lagoa Mundaú e os graves problemas de esgotamento sanitário de Maceió”, numa conversa com a Profª Nélia Callado.

Quem é ela? – Engenheira, graduada pela Ufal, com especialização em Recursos Hídricos; mestrado, doutorado e pós-doutorado em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP). Foi superintendente de Infraestrutura da UFAL, diretora de Planejamento e superintendente de Desenvolvimento Organizacional da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), atualmente é professora e pesquisadora do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas, onde exerce também a coordenação do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária e do Laboratório de Saneamento Ambiental, além de liderar o Grupo de Tratamento de Resíduos.

Vai ser um papo interessante, né não? Participe conosco! Das 20 às 21 horas, no instagram @Eassimnotícias.

O Riacho Salgadinho, o maior exemplo da falta de saneamento em Maceió