Empresa teria contratado influenciadores para ataque coordenado contra o Banco Central

Vereador gaúcho relata que recusou proposta para defender o Banco Master e criticar a autoridade monetária; campanha mira técnicos do BC e familiares.

Um vereador e influenciador do Partido Liberal (PL) do Rio Grande do Sul, Rony Gabriel, denunciou nesta terça-feira, 6 de janeiro, ter sido abordado por uma empresa com uma proposta para gravar e divulgar conteúdos nas redes sociais em defesa do Banco Master e com ataques ao Banco Central.

A instituição decretou a liquidação do Master no final de 2025. Segundo reportagem do jornal O Globo, ao menos 46 influenciadores de direita teriam sido recrutados para a campanha coordenada.

Em vídeo publicado em seu Instagram, Rony Gabriel relatou que a proposta chegou em 20 de dezembro, por meio de seu assessor. A empresa se apresentou como responsável pelo “gerenciamento de reputação de um grande executivo” e ofereceu uma “boa quantia em dinheiro” pela produção de conteúdo.

O objetivo seria responsabilizar o BC pela crise do Master e passar a impressão de que não havia irregularidades no banco de Daniel Vorcaro. O contrato, exibido pelo vereador, previa multa de R$ 800 mil por quebra de sigilo.

A campanha teria usado uma reportagem do site Metrópoles como modelo de conteúdo a ser difundido, sempre lançando dúvidas sobre a ação do BC.

Os principais alvos dos ataques são o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, Renato Gomes, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor que emitiram notas de apoio à liquidação.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e outras entidades já haviam se manifestado em 27 de dezembro, alertando para o “estilo incomum” dos ataques e pedindo a preservação da autoridade técnica do BC para evitar um “cenário gravoso de instabilidade”.

Contexto institucional

A ofensiva ocorre em meio a movimentos atípicos no Caso Master. O ministro do STF Dias Toffoli decretou sigilo máximo às investigações após viajar em um jatinho particular com um advogado de um dos empresários do banco.

Paralelamente, o Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do ministro relator Jhonatan de Jesus – ex-deputado com histórico de alinhamento ao Centrão e emendas sob análise do ministro Flávio Dino –, determinou a análise de documentos do BC sobre a liquidação, medida considerada inédita e inadequada por especialistas.

Para o professor Luís Henrique Cadermatori, da UFSC, a situação cria um “conflito político”, pois membros do TCU são escolhas políticas, enquanto o BC é um órgão técnico. Ele avalia que a repercussão no tribunal é “moralmente e politicamente questionável”, embora juridamente não haja impedimento. A movimentação evidencia a dimensão política e os interesses de alto poder envolvidos no caso.

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