O estresse é uma realidade para grande parte da população, impulsionado por pressões profissionais, acadêmicas ou pessoais. Embora seus efeitos sobre o corpo sejam amplamente conhecidos, poucos associam o estresse à saúde bucal — o que pode resultar em problemas silenciosos, mas que afetam diretamente o bem-estar.
Segundo a Dra. Cristina Aparecida dos Santos Pedro, coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera Taboão da Serra, o estresse pode desencadear diversas alterações na boca, sendo o bruxismo uma das mais frequentes. Trata-se do ato involuntário de ranger ou apertar os dentes, geralmente durante o sono. “Esse hábito, associado ao estresse, pode resultar em desgaste dentário, dores musculares, cefaleias e até disfunções na articulação temporomandibular (DTM)”, explica a especialista.
Outro impacto direto é o enfraquecimento do sistema imunológico, que favorece o surgimento de aftas, úlceras e outras lesões orais dolorosas. Comportamentos compulsivos, como morder a bochecha ou os lábios, também se intensificam em momentos de ansiedade, agravando ainda mais os quadros.
A boca seca, ou xerostomia, é mais um sintoma comum em pessoas sob estresse crônico. A redução da produção de saliva prejudica a proteção natural contra cáries, infecções e doenças gengivais, além de causar mau hálito. “A saliva tem papel fundamental na defesa da cavidade oral. Sua ausência eleva os riscos de gengivite, periodontite e outras inflamações”, destaca Cristina.
Para minimizar esses efeitos, a recomendação é adotar hábitos que favoreçam tanto a saúde mental quanto a bucal. Atividades físicas, técnicas de relaxamento como meditação e boas noites de sono são essenciais para reduzir os níveis de estresse. Ao mesmo tempo, manter uma rotina de higiene bucal completa, com escovação correta, uso diário do fio dental e visitas regulares ao dentista, é fundamental para evitar complicações.
Um estudo publicado na Journal of Oral Rehabilitation, em 2023, reforça essa relação ao indicar que indivíduos com altos níveis de estresse têm maior incidência de bruxismo e alterações na mucosa bucal. Os dados evidenciam a importância de uma abordagem integrada entre saúde emocional e odontológica para garantir mais qualidade de vida.














