EUA pretendem impor nova taxa de 12,5% ao Brasil por trabalho forçado

Relatório diz textualmente que "conduta do trabalho forçado é irracional', o que remeteria um sistema análogo à escravidão

O governo de Donald Trump anunciou uma nova rodada de sobretaxas contra parceiros comerciais dos Estados Unidos e incluiu o Brasil entre os países sujeitos a uma tarifa adicional de 12,5%.

A medida foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) após investigação sobre importação de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado, envolvendo denúncias de trabalhadores atuando empresas brasileiras no sistema análogo à escravidão.

A decisão foi divulgada um dia depois de o mesmo órgão recomendar tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras em outra investigação comercial. As duas apurações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado por Washington para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio estadunidense. Ainda não está claro se as duas taxas poderão ser somadas.

Segundo o relatório, 60 países falharam em proibir e fiscalizar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado (trabalho escravo). O USTR classificou essa conduta como “irracional” e afirmou que ela restringe o comércio dos Estados Unidos ao criar concorrência desleal para empresas e trabalhadores estadunidenses.

O governo Trump propôs dois níveis de sobretaxação, de acordo com informações do g1. A tarifa de 10% seria aplicada a economias que já possuem alguma proibição parcial ou que assumiram compromissos formais por meio de acordos comerciais, como União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.

Trabalho forçado é inaceitável

A alíquota de 12,5% ficaria para países considerados sem regimes eficazes de controle. Nesse grupo estão Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita e outras economias investigadas.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o embaixador Jamieson Greer. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”.

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