
O ex-secretário da Receita Federal Julio Cesar Vieira Gomes, envolvido na tentativa de liberação das joias presenteadas pela Arábia Saudita a Jair Bolsonaro, foi demitido pela Controladoria-Geral da União no último dia 25. A portaria publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (1º) também o impede de ocupar cargo público federal pelo período de cinco anos.
A demissão foi fundamentada no relatório final do processo disciplinar que concluiu pelo descumprimento de deveres funcionais. Gomes confirmou em depoimento à Polícia Federal ter tratado diretamente com Bolsonaro sobre a liberação dos bens apreendidos na alfândega de Guarulhos, em duas ocasiões: uma reunião presencial na primeira quinzena de dezembro de 2022 e um telefonema em 27 de dezembro do mesmo ano.
Segundo as transcrições do depoimento, durante a reunião Bolsonaro questionou sobre “alguma apreensão da Receita Federal decorrente de uma viagem para Arábia Saudita”. Gomes afirmou ter repassado as informações ao então chefe da Ajudância de Ordens, tenente-coronel Mauro Cid. Na ligação de 27 de dezembro, o ex-presidente teria perguntado novamente sobre as joias.
A PF indiciou Bolsonaro pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato/apropriação de bem público em relação ao caso, que envolve itens avaliados em até R$ 6,8 milhões. Em manifestações anteriores, Gomes negou irregularidades, afirmando ter seguido orientações legais.














