Falha humana: Perícia descarta falha mecânica em ônibus na Serra da Barriga

Acidente se enquadra em homicídio culposo, mas como o motorista não sobreviveu, não há como responsabilizá-lo criminalmente

Quase seis meses após um ônibus despencar de uma ribanceira de 400 metros na Serra da Barriga, em União dos Palmares, matando 20 pessoas em novembro de 2024, a Polícia Científica do estado concluiu que não houve falha mecânica no ocorrido.

A informação foi confirmada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (18), após análise detalhada do veículo, que só pôde ser retirado do local do acidente em maio deste ano.

O perito criminal Marcelo Velez afirmou que os sistemas de transmissão, motor e direção estavam totalmente funcionais no momento do acidente. “Não há qualquer indício de falha mecânica. O mais provável é que o veículo tenha parado por imperícia do motorista ou uma decisão equivocada”, explicou.

Segundo os peritos, o motorista Luciano de Queiroz Araújo (que também morreu no acidente) pode ter perdido o controle ao tentar segurar o ônibus no morro usando o freio motor,que pode ter falhado devido ao superaquecimento ou excesso de peso.

O delegado Guilherme Luston, responsável pelas investigações, confirmou que o acidente se enquadra em homicídio culposo (sem intenção de matar). Porém, como o motorista não sobreviveu, não há como responsabilizá-lo criminalmente.

“O que resta agora é a responsabilidade civil. As famílias podem buscar indenizações por danos morais e materiais, e o município, que organizou o evento e contratou o transporte, pode ser acionado judicialmente”, afirmou Luston.

Acidente

No dia 24 de novembro de 2024, o ônibus – que transportava 48 pessoas para o Parque Memorial Quilombo dos Palmares – caiu em uma área de mata fechada após o motorista parar o veículo devido a um suposto problema em uma mangueira de ar. Testemunhas relataram que os passageiros chegaram a descer do ônibus, mas, pouco depois, o veículo despencou ribanceira abaixo.

A retirada dos escombros foi uma operação complexa, envolvendo bombeiros, policiais e guinchos especiais, e só foi concluída seis meses depois do desastre.

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