
O jornal britânico Financial Times afirmou, em reportagem publicada na quinta-feira (7), que a proposta de acabar com a jornada 6×1 no Brasil colocaria o país “em linha com grande parte do mundo ocidental”.
Sob o título “Lula moves to end Brazil’s six-day working week” (“Lula avança para acabar com a semana de trabalho de seis dias no Brasil”), o diário britânico destaca que, enquanto países desenvolvidos discutem a implementação de semanas de quatro dias de trabalho diante dos impactos da inteligência artificial (IA), o Brasil ainda debate a transição de uma jornada de seis para cinco dias semanais.
A mudança afetaria cerca de 15 milhões de trabalhadores formais submetidos à escala 6×1. Outros 37 milhões poderiam ser beneficiados pela redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, segundo estimativas do governo brasileiro.
Comparação internacional e produtividade
O FT contextualiza a discussão brasileira a partir de mudanças históricas nas relações de trabalho, lembrando que 2026 marca o centenário da decisão da Ford de adotar o fim de semana de dois dias para seus funcionários nos EUA. Dados do Our World in Data mostram que brasileiros trabalharam, em média, quase 2.000 horas em 2023 — cerca de 50% a mais que os trabalhadores alemães (1.335 horas anuais).
Resistência política e impacto econômico
O FT avalia que a aprovação está longe de ser garantida, diante de um Legislativo “cada vez mais hostil” dominado por forças conservadoras e da resistência de setores empresariais. Projeções da Fecomércio-SP indicam que a redução para 40 horas semanais poderia elevar custos por hora trabalhada em até 10%.
Estratégia política de Lula
A reportagem interpreta a pauta como parte de uma estratégia de Lula para se reconectar à base trabalhadora em meio à queda de popularidade. Desde a volta ao poder, o governo adotou medidas como ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, reajustes do salário mínimo e reforço de benefícios sociais, mas inflação persistente e endividamento das famílias seguem pressionando a avaliação do governo. No fim de abril, duas propostas sobre o fim da escala 6×1 avançaram em comissões do Congresso e serão analisadas por uma comissão especial antes de eventual votação.














