
A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master e no BRB, expôs a atuação do ex-ministro da Cidadania João Roma no governo Bolsonaro.
Documentos mostram que Roma incluiu o cartão CredCesta, operado pela Visa e vinculado aos sócios do Master, em programas sociais federais, ampliando significativamente a base de clientes do banco.
Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, mantinha relações com Roma desde os círculos políticos baianos. A medida ministerial permitiu que o CredCesta, espécie de vale-refeição com crédito consignado, fosse disponibilizado a servidores públicos federais. O programa, que hoje possui quase 20 milhões de associados, tornou-se alvo de oferta de investimentos de alto risco, como CBDs remunerados a 150% do CDI.
Em 2022, decretos do Ministério da Economia sob Bolsonaro criaram linhas de crédito popular sem adequadas garantias bancárias. O Master foi consultado para “avalizar tecnicamente” o sistema, em meio a gastos eleitorais classificados como “sociais”.
Paralelamente, investigações no BRB revelaram contratos de patrocínio esportivo considerados superfaturados. Destaque para o patrocínio de R$ 40 milhões anuais ao Flamengo e contrato de até R$ 21 milhões com o piloto de Fórmula 1 Gabriel Bortoleto, negociado diretamente entre o pai do piloto, Lincoln Oliveira, e o então presidente do banco Paulo Henrique Costa, por determinação do governador Ibaneis Rocha.
No primeiro trimestre de 2025, o BRB gastou R$ 26,2 milhões em patrocínios esportivos e culturais, com previsão anual de R$ 118 milhões – desembolsos discricionários controlados pelo gabinete do governador. Costa, que se apresentou à Polícia Federal, colabora com as investigações, embora ainda não formalmente como delação premiada.














