
Um funcionário do restaurante Grado, no Rio de Janeiro, relatou que o cantor Ed Motta e seus amigos proferiram xingamentos e atitudes preconceituosas durante uma confusão que repercutiu nesta semana.
O Fantástico ouviu um dos garçons do estabelecimento, que contou à reportagem que Ed Motta se levantou da mesa para reclamar da taxa de rolha, momento em que começaram os insultos. O funcionário relatou: “[Eles disseram:] ‘Vou embora antes que eu faça alguma coisa com esse paraíba, nunca mais eu volto aqui’.”
Segundo o garçom, após Ed Motta sair, os amigos dele brigaram com outra mesa e chegaram a arremessar uma garrafa de vinho em direção a um cliente.
Na sequência, eles fizeram mais um pedido aos garçons, como se nada tivesse acontecido. O funcionário acrescentou: “[Um deles] Falou para colocar o espumante no balde com gelo, que ele ia beber.” A Globo procurou o amigo de Ed Motta, mas ele não quis se pronunciar após atender a reportagem inicialmente.
O uso do termo “paraíba” como referência genérica a nordestinos é considerado manifestação de xenofobia e preconceito regional. A expressão costuma ser empregada de forma pejorativa, associando pessoas da região a estereótipos de baixa escolaridade ou condição social, tendo ganhado caráter discriminatório ao longo do tempo, especialmente em contextos de tensões migratórias entre diferentes regiões do país.
Ed Motta afirmou em entrevista ao O Globo que estava bêbado e se irritou com a atitude de um funcionário. Ele disse: “Um dos funcionários olhava para mesa com cara de ironia e prazer por aquele estresse estar acontecendo. Me irritei com tudo aquilo, joguei a cadeira no chão e fui embora.”
O cantor contrariou a versão de testemunhas e afirmou que as câmeras de segurança do estabelecimento provam que a cadeira atingiu apenas o chão. “Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso. Jamais.”
Em nota divulgada à imprensa, os donos do restaurante acusaram o grupo do cantor de preconceito, afirmando que foram feitos comentários ofensivos sobre a origem nordestina dos funcionários e insinuações sobre a orientação sexual da equipe. Na entrevista, Ed Motta ressaltou que seus amigos foram as verdadeiras vítimas da briga.
“Foram as pessoas na mesa ao lado que ofenderam meus amigos, inclusive com ofensas homofóbicas, chamando meu amigo de ‘viado’, e xenofóbicas, mandando ele voltar para a Arábia.” A reportagem tentou contato com Ed Motta para mais detalhes, e o texto será atualizado assim que houver manifestação.














