20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Funcionários do MEC afirmam: Resultado do Enem não é 100% confiável

Governo dispensa cálculo para verificar itens do exame, e classificação do Sisu pode ser afetada

Ministro Abraham Weintraub chegou a dizer ter realizado “o melhor Enem de todos os tempos”

Ao identificar erros em notas do Enem 2019, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) refez a conferência dos desempenhos dos participantes, mas não recalculou os parâmetros dos itens usados nas provas do exame.

O procedimento traria maior segurança para os resultados, mas esse cálculo levaria mais tempo para ser concluído. O governo Bolsonaro preferiu abrir mão dessa análise para dar uma resposta rápida aos erros e manter o cronograma do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Sem esse procedimento, funcionários do instituto e do MEC (Ministério da Educação) dizem, sob condição de anonimato, que não é possível ter 100% de confiança nos resultados.

Na avaliação de técnicos da pasta, o recálculo dos parâmetros poderia reduzir o erro padrão do exame e indicar variações nas notas —que provavelmente seriam pequenas, mas suficientes para alterar, por exemplo, a lista de aprovados em cursos concorridos.

A cúpula do instituto, entretanto, evita o retrabalho na base de dados com receio de novos questionamentos da nota. O entendimento é que isso só será feito caso haja determinação da Justiça.

Após uma série de reclamações dos candidatos que fizeram o Enem, o MEC admitiu na semana passada ter divulgado parte das notas com erros. Os resultados haviam sido liberados um dia antes, quando o ministro Abraham Weintraub disse ter realizado “o melhor Enem de todos os tempos”.



Sisu

O desembargador João Otávio Noronha, presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), acatou na terça (28) um recurso da AGU (Advocacia-Geral da União) e derrubou uma decisão que impedia a divulgação dos resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

A liberação da lista de aprovados foi parar na Justiça após o MEC (Ministério da Educação) admitir ter divulgado parte das notas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019 com erros.

O ministério diz que menos de 6.000 candidatos foram afetados e que o problema já foi corrigido. Mesmo assim, uma série de ações judiciais foi protocolada pelo país por estudantes que continuaram contestando suas notas. Cerca de 4 milhões de candidatos fizeram as provas no ano passado.