ICL: Imagem da esquerda piora conforme diminui o nível de escolaridade no Brasil

Estudo nacional mostra que 52% das pessoas com ensino fundamental associam a esquerda a "sustentar vagabundos", percepção que se inverte entre aqueles com ensino superior.

Quanto menor a escolaridade, mais deteriorada é a imagem da esquerda entre os brasileiros. É o que revela uma pesquisa nacional de opinião pública realizada pela Ágora Consultores para o ICL, ouvindo 9.497 pessoas entre 17 e 23 de novembro de 2025. Entre os cidadãos com ensino fundamental, a maioria (52%) concorda com a afirmação de que “a esquerda quer sustentar vagabundos, e a direita promove o empreendedorismo, modernidade e eficiência”. Apenas 32% enxergam no campo progressista um foco no bem-estar social.

Esse cenário se inverte conforme o grau de instrução avança. Entre os brasileiros com ensino superior, quase metade (47%) possui uma visão positiva da esquerda, e o estigma do assistencialismo cai para 31%. A análise qualitativa indica que, para o grupo com menor instrução, políticas sociais são vistas como mecanismos de “clientelismo” e “bolsas esmola”, que criariam um “curral eleitoral” e deixariam a população “preguiçosa”. Em contraste, a direita é associada a mérito, produção e eficiência.

O estudo também mostra um país altamente politizado. Somados, 91% dos brasileiros consideram o envolvimento com política importante e interessante (55%) ou necessário, porém estressante (36%). No entanto, a visão sobre as correntes ideológicas está dividida: 42% escolheram a frase que associa a esquerda a “sustentar vagabundos”, enquanto 38% concordam que a “esquerda mira o futuro e o bem-estar da população, enquanto a direita protege os ricos e explora os pobres”. Os indecisos somam 20%.

Segundo o cientista político Diego Villanueva, diretor da Ágora, a pesquisa revela uma direita mais coesa em valores e prioridades, enquanto a esquerda apresenta diferenças internas. Ele destaca dois grupos centrais, classificados como “Centro em Dúvida e Contradição” (26% da população) e “Populares por Proteção e Ordem” (13%), que são menos ideológicos, pragmáticos e buscam soluções imediatas. “Essa é a sua característica mais importante: eles querem tudo para agora e têm uma postura individualista”, afirma.

Villanueva analisa que o discurso de êxito individual e soluções punitivas da direita ganhou aderência nesses grupos. “Com a ascensão da extrema direita, a esquerda passou a defender um status quo republicano e democrático. Mas a visão majoritária é que esse status quo não estava funcionando direito”, conclui, indicando uma necessidade de a esquerda rever sua comunicação e tangibilizar os benefícios da democracia e do combate a privilégios.

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