
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado irritação em conversas privadas com auxiliares sobre a atuação do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal. Em desabafos, Lula chegou a dizer que Toffoli deveria renunciar ao cargo ou se aposentar. Apesar do tom, assessores próximos duvidam que o petista vá formalmente propor o afastamento do magistrado.
Segundo relatos de pelo menos três colaboradores ouvidos pela Folha, Lula acompanha o caso e as repercussões sobre o ministro com desconforto.
O incômodo se deve principalmente ao desgaste institucional causado por notícias que vincularam parentes de Toffoli a fundos de investimento ligados ao banco, além da imposição de sigilo ao processo. O presidente teria manifestado receio de que a investigação seja “abafada”.
Em um almoço no Palácio do Planalto em dezembro, com a presença do ministro da Fazenda Fernando Haddad, Lula teria dito a Toffoli que tudo o que seu governo desvendou “deveria ser levado às últimas consequências” e que queria entender se essa era a disposição do tribunal.
O presidente também afirmou, conforme informações confirmadas pela apuração, que a relatoria seria uma oportunidade para o ministro “reescrever sua biografia”. Na ocasião, Toffoli respondeu que nada seria abafado e que o sigilo era justificável.
A insatisfação de Lula parece ter aumentado após novas revelações. Elas incluem uma viagem de jatinho do ministro na companhia de um advogado da causa e os negócios familiares com o fundo ligado ao Master. Em conversas, o presidente teria passado a desconfiar que o caso poderia terminar em uma “grande pizza”.
Publicamente, Lula defendeu as investigações. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, disse o presidente na sexta-feira (23).
Aliados afirmam que ele também vê no caso uma chance de abalar políticos da oposição, já que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com o centrão, mas também com aliados petistas na Bahia.
Toffoli, por sua vez, indicou a interlocutores que descarta abdicar da relatoria por não ver elementos que comprometam sua imparcialidade. Ele argumenta que nem a viagem nem os negócios dos familiares geram impedimento.
A indicação de Toffoli para o STF foi feita pelo próprio Lula, mas a relação entre os dois tem altos e baixos históricos, como quando o ministro impediu Lula, então preso, de assistir ao velório de seu irmão em 2019 – um episódio pelo qual Toffoli pediu desculpas após a eleição de 2022.














