
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias, negou categoricamente a existência de qualquer acordo entre o governo e a oposição para preservar os mandatos de Glauber Braga (PSOL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP). Em entrevista ao ICL Notícias, ele afirmou que a orientação do Palácio do Planalto sempre foi pela cassação de Zambelli, contrariando versões que circularam nos bastidores após a votação de terça-feira (9).
Para reforçar a posição oficial e marcar a não participação do governo em manobras a favor da deputada, Lindbergh anunciou que protocolará ainda hoje um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido visa suspender a decisão da Câmara que manteve o mandato de Zambelli e restabelecer a determinação original de cassação, com base na condenação criminal definitiva imposta pela Corte.
O parlamentar sustenta que a votação no plenário afronta diretamente a decisão judicial, já que a Câmara não teria competência para reverter, por meio de voto político, uma perda de mandato determinada pelo STF. O recurso tentará obrigar a Casa a cumprir integralmente a sentença.
Acordo limitado a Glauber
Segundo Lindbergh, o único acordo efetivamente costurado na terça-feira foi o que evitou a cassação de Glauber Braga, substituindo-a por uma suspensão de seis meses. A articulação, que contou com intensa mobilização de parlamentares próximos ao governo, gerou desconforto dentro da própria Câmara.
Descontentamento de Arthur Lira
Aliados relataram que o deputado Arthur Lira (PP-AL) ficou irritado com o desfecho. Ele avaliou que a operação expôs fragilidades na condução política do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmando que Motta não controla a pauta e demonstrou incapacidade ao permitir que a negociação avançasse sem coordenação.
Interlocutores de Motta, por outro lado, tentam distanciá-lo da cena, alegando que a pauta atendia a interesses pessoais de Lira. Entretanto, parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que o próprio presidente da Câmara esteve diretamente envolvido na costura que resultou na suspensão de Glauber. Além disso, ao menos dois deputados do PSB revelaram ter recebido ligações de Arthur Lira pressionando pela cassação do parlamentar do PSOL – contatos que teriam ocorrido após a votação de um requerimento de retirada de pauta.
O desfecho da ação no STF deve definir os próximos capítulos da crise política aberta pela sessão.














