1 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Justiça

Moro pode ter mandato cassado após depoimento de hoje

Ex-juiz acusado de abuso de poder econômico, caixa 2, uso indevido de meios de comunicação e contratos irregulares

O senador Sergio Moro (União Brasil) deve depor hoje ao TRE-PR no âmbito de duas ações que pedem sua cassação. O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro do governo Bolsonaro é acusado de abuso de poder econômico, caixa 2, uso indevido de meios de comunicação e contratos irregulares.

Os processos movidos pelo PL e pela federação PT, PV e PC do B foram unificados em junho pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Os partidos acreditam que ele teve vantagem indevida na disputa pelo Senado.

A avaliação é de que sua pré-campanha à Presidência, com gastos de mais de R$ 2 milhões, deu a ele mais visibilidade em relação aos concorrentes pela vaga de senador — o que o ex-juiz nega e chama de “choro de perdedor”.

O TSE permite que seja gasto em campanha para Senado R$ 4,4 milhões. Segundo a denúncia, Moro investiu mais de R$ 6 milhões na candidatura, juntando o dinheiro usado na pré-campanha presidencial.

Andamento

Vale constar que o senador tem prerrogativa de depor ou não presencialmente. A equipe do senador não confirmou se ele prestará depoimento nesta quinta. O início da audiência está previsto para as 13h — a oitiva, que inicialmente estava prevista para o último dia 16, não terá transmissão.

O processo contra Moro está na fase da colheita de depoimentos. No dia 30 de novembro, o senador abriu mão do depoimento de Deltan Dallagnol, na condição de sua testemunha, ex-promotor  já cassado como deputado, federal, que chefiou a Operação Lava jato o e foi correligionário de Moro no Podemos.

Se o ex-juiz for condenado, a chapa será cassada e Moro ficará inelegível por oito anos. Em caso de condenação, o senador terá a possibilidade de recorrer ao TSE — em caso de absolvição, os partidos também podem recorrer à Corte superior.

Possíveis nomes de substitutos de Moro já ventilam no cenário paranaense. Entre eles estão o deputado bolsonarista licenciado Ricardo Barros (PP), a deputada Gleisi Hoffman (PT), o ex-senador Álvaro Dias (Podemos) e até a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL).