
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) notificou oficialmente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para prestar esclarecimentos sobre movimentações financeiras, repasses e a regularidade contábil da Federação Alagoana de Futebol (FAF).
A iniciativa (assinada pelo promotor Anderson Cláudio de Almeida Barbosa) baseia-se em denúncias publicadas no site Lance! em 29 de abril. O MP fixou prazo de 20 dias para a CBF responder a dez questionamentos técnicos.
O foco da investigação é apurar se a CBF tem conhecimento de uma suposta “estrutura paralela” criada pela presidência da FAF para gerenciar verbas (incluindo emendas parlamentares e repasses da própria confederação), contornando uma dívida ativa da federação local estimada em R$ 6.203.878,80. No centro do procedimento está o atual presidente da FAF, Felipe de Omena Feijó (filho do ex-mandatário da federação e atual diretor de futebol masculino da CBF, Gustavo Feijó).
Segundo dados do Lance!, Felipe instituiu em 2017 o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP) – entidade privada cuja finalidade é “gerenciar e receber recursos em nome da sócia instituidora (a FAF)” – e em 2022 o Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa (IFAGP, também conhecido como “Instituto Nossa Senhora das Graças”), que se desvinculou formalmente da federação em 2024. O IFPP permanece ativo com transações comerciais e institucionais com a FAF.
As apurações apontam que, além do repasse anual da CBF para a FAF em 2024 (R$ 2.188.544,00, acrescidos de R$ 207.719,00 para arbitragem), a federação e seus institutos captaram R$ 6.312.776,49 em emendas parlamentares de deputados estaduais (dados da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude de Alagoas via Lei de Acesso à Informação).
O MP/AL requereu à CBF manifestações sobre tópicos como conhecimento formal sobre os institutos, auditorias e fiscalização financeira sobre a FAF. O descumprimento do prazo poderá fundamentar ações civis públicas.














