
Alagoas é o estado brasileiro com a maior desigualdade racial em homicídios, segundo o Atlas da Violência 2026 (divulgado nesta terça-feira, com dados de 2024). Uma pessoa negra tem 23,3 vezes mais chances de ser assassinada no estado do que uma pessoa não negra.
O índice coloca Alagoas na primeira posição do ranking nacional. Em todo o Brasil, o risco de uma pessoa negra ser assassinada é, em média, 2,6 vezes maior que o de uma pessoa não negra (em Alagoas, a diferença é quase dez vezes superior à média nacional).
O segundo maior índice foi registrado no Amapá (16,7 vezes), seguido por Sergipe (6,8).
Os dados refletem desigualdades históricas e sociais como racismo estrutural, desigualdade socioeconômica e vulnerabilidade da população negra. Em 2024, o Brasil registrou mais de 31 mil homicídios de pessoas negras (77% de todas as mortes violentas do país).
Entre pessoas não negras, foram pouco mais de 9 mil homicídios. Pessoas negras têm uma taxa de homicídios 170,3% maior que a registrada entre não negros. Na análise dos últimos dez anos (2014 a 2024), o Brasil contabilizou mais de 435 mil assassinatos de pessoas negras, contra cerca de 132 mil entre pessoas não negras.
Apesar da redução geral dos homicídios no país nos últimos anos, a queda não foi equitativa: entre pessoas não negras, a redução foi de quase 39%; entre pessoas negras, ficou em 21,7%. O Atlas da Violência é elaborado anualmente pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).














