O que muda, se prefeito JHC apoiar Artur Lira para senador, a pedido do presidente Lula?

Herdeiro de Benedito de Lira pode ter que enfrentar dobradinha com Renan pai e Davi Filho
Uma nova versão, revelada em texto do jornalista Edvaldo Júnior no Gazetaweb, transforma em mera narrativa a história do ‘acordo de Brasília’, pelo menos como ficou conhecido depois que o prefeito João Henrique Caldas conseguiu que o presidente Lula nomeasse sua tia Marluce Caldas como ministra do STJ.
Pelo ‘acordo’, Lula teria obtido de JHC o compromisso de não disputar o governo – para facilitar a volta de Renan Filho à chefia do Executivo alagoano – e de apoiar a reeleição do senador Renan Calheiros. Em nova versão, porém, Edvaldo Júnior não menciona ‘acordo’ e resume assim o contato em Brasília: o presidente Lula pediu que JHC apoiasse a eleição de Artur Lira para o Senado e a reeleição do senador Renan Calheiros. Esse enfoque emergiu depois que JHC e Lira foram vistos abraçados e trocando afagos em recente encontro na capital.
Não se trata, a rigor, de um fato novo, apenas de um relato que não altera o cenário da disputa majoritária em Alagoas, seja para o governo ou Senado. Lula pedir que JHC apoie Artur Lira é algo normal e indica que o deputado do PP apelou para que o presidente intercedesse a seu favor. Do mesmo modo, seria redundante dizer que Lula endossa e quer apoio para seu ministro Renan Filho voltar ao governo de Alagoas, ou que apoiará a reeleição de Renan Calheiros para conquistar seu quinto mandato de senador, um feito que, concretizado, entrará para a história.
Tudo isso faz parte do jogo político, mas não pesa, não tem influência decisória e não muda as expectativas para 2026. Pesquisa e até ‘memória eleitoral’ com números indiscutíveis, mostram que dificilmente Artur Lira se elegerá senador. Veja só: na pesquisa mais recente do Instituto Big Meta para o Senado, Lira é o quarto colocado – atrás de Renan Calheiros, Davi Davi e Alfredo Gaspar, nessa ordem, isso sem JHC na disputa. Quando a sondagem inclui o prefeito de Maceió, o deputado herdeiro de Benedito de Lira cai para a quinta colocação…
Tem levantamento mais novo para o Senado? Tem – realizado já em outubro – mas com o eleitorado apenas de Maceió. O Instituto Falpe mostra Davi Filho em primeiro, seguido de Renan Calheiros e Artur Lira. Detalhe: a pesquisa excluiu o nome de Alfredo Gaspar e não menciona o prefeito JHC.
A situação (estadual) não muda quando se recorre à memória de uma eleição em vez de pesquisa. Com mais bagagem do que o filho Artur – foi vereador, prefeito de Maceió, deputado estadual e presidente da Assembleia, deputado federal e senador – Benedito de Lira perdeu sua vaga no Senado na disputa de 2018. Terminou em quarto, atrás de Rodrigo Cunha, Renan Calheiros e Maurício Quintella. Cunha e Renan se elegeram. Biu faleceu e será uma baixa sensível na campanha do filho Artur em 2026.
Eleição majoritária é diferente de proporcional. Concorrendo à Câmara dos Deputados, Lira será o mais ou um dos mais votados de Alagoas. Mas lhe falta capilaridade e abrangência para mirar o Senado. O apoio de JHC ajuda, mas não o suficiente para elegê-lo. ‘Transferência de voto’ não funciona. Se valesse, filho de político não perderia eleição. Artur Lira não atrai o eleitor da capital, é fato comprovado, e ponto final.
Por outro lado, se JHC admite apoiar Lira e Renan Calheiros, como já sinalizou, significa que não disputará o Senado. Mas isso não afasta Lira da zona de perigo porque, ao menos hoje, depois de Renan Calheiros, o preferido dos alagoanos para senador chama-se Davi Filho. E o provável é que o projeto de Lira definhará ainda mais se, por exemplo, Renan pai fechar uma composição com Davino Filho, formando dupla para o Senado e, claro, ambos recebendo manifestações de apoio do postulante ao governo Renan Filho, senador licenciado e um dos ministros mais atuantes do governo Lula.
Resta fazer a conexão com o governo. A pesquisa mais recente, destacada por Edvaldo Júnior, revela que Renan Filho venceria JHC para governador com 100 mil votos de vantagem. Perde na capital, mas dispara no interior. São números que remetem a uma indagação crucial: o prefeito renunciaria, faltando cumprir dois terços do mandato, e entraria numa jogada de altíssimo risco pessoal só para tentar ajudar Lira?
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