
Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro admitem que a operação da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e o presidente do PP, Ciro Nogueira, provocou desgaste político no campo da direita e aumentou as incertezas sobre a composição da chapa presidencial de 2026.
Nos bastidores, aliados avaliam que Flávio conseguiu se manter afastado do foco da investigação até o momento e que a ausência de uma definição sobre o vice-presidenciável evitou desgaste maior. A federação entre PP e União Brasil ainda não oficializou apoio ao senador, embora integrantes das duas siglas considerem esse o cenário mais provável até o período das convenções.
Segundo interlocutores, a indefinição sobre a vaga de vice também foi influenciada pela expectativa de que o caso Master pudesse atingir lideranças importantes do Centrão, incluindo Ciro Nogueira. Há ainda preocupação entre aliados de Flávio com a possibilidade de o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, ser alcançado pelas investigações.
A estratégia do entorno de Flávio é aguardar o avanço das apurações e os possíveis desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro antes de definir alianças formais para a disputa presidencial. Nesse cenário, nomes como a senadora Tereza Cristina e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema seguem sendo cogitados para compor a chapa.
Em nota divulgada após a operação, Flávio evitou defender Ciro Nogueira e adotou tom cauteloso. “O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, afirmou.
Mais tarde, o senador publicou vídeo defendendo a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e tentou associar o caso a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Brasil merece saber toda a verdade. Como o banco cresceu, quem estava por trás e quais são as ligações do Master com a alta cúpula nacional do PT e da Bahia. Não podemos deixar que empurrem esse assunto para debaixo do tapete. CPI do Master já”, declarou.
Ciro Nogueira, um dos principais nomes do Centrão, já integrou bases de apoio de governos petistas e também ocupou a chefia da Casa Civil durante a gestão de Jair Bolsonaro. Neste ano, tentou aproximar-se de Lula após não conseguir viabilizar uma composição como vice do governador Tarcísio de Freitas em eventual candidatura presidencial.
Em março, durante entrevista no Piauí, Ciro afirmou que renunciaria ao mandato caso alguma irregularidade envolvendo o Banco Master fosse comprovada.
Dentro da campanha de Flávio, parte dos aliados acredita que, caso as investigações atinjam diversos partidos e lideranças políticas, o impacto negativo sobre o PP seria diluído, permitindo a manutenção de uma aliança. Já se o foco permanecer concentrado em Ciro Nogueira, cresce a preocupação com o desgaste político de uma eventual aproximação com o partido.
Governistas têm tentado associar Flávio Bolsonaro ao escândalo envolvendo o Banco Master. O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, afirmou que “a nova operação mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do BolsoMaster” e defendeu a criação de uma CPI sobre o caso.
Nos Estados Unidos, Lula comentou brevemente a operação e afirmou esperar que os investigados provem inocência. “A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes”, declarou o presidente.
Parlamentares bolsonaristas, por outro lado, tentam desvincular a campanha de Flávio de Ciro Nogueira. O deputado Cabo Gilberto Silva afirmou que “o Ciro também foi aliado do PT, e aí? Ele é centrão. Centrão é centrão, não é direita”.
A operação também reforçou divergências internas no PL sobre a necessidade de uma coligação formal com PP e União Brasil. Um grupo avalia que o partido já possui estrutura, tempo de televisão e palanques suficientes para sustentar a candidatura de Flávio sem depender do Centrão. Outra ala, liderada pelo senador Rogério Marinho, defende a aliança como forma de consolidar votos conservadores e ampliar espaço no eleitorado de centro.
Já Romeu Zema aproveitou a repercussão da operação para criticar Ciro Nogueira nas redes sociais e reforçar posição contrária à aproximação entre PL e PP.
Apesar da pressão política, integrantes do PP descartam qualquer possibilidade de afastamento de Ciro da presidência nacional do partido.
Em nota, a defesa do senador afirmou repudiar “ilações de ilicitude, especialmente em sua atuação parlamentar”, e declarou que Ciro está à disposição para colaborar com a Justiça e demonstrar que não participou de atividades ilegais.














