
O papa Leão condenou nesta sexta-feira o uso da força militar como instrumento para alcançar objetivos diplomáticos. A crítica foi feita em um discurso anual sobre política externa marcado por um tom incomumente incisivo, no qual ele também defendeu a proteção dos direitos humanos na Venezuela.
Leão, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, afirmou que a fragilidade das organizações internacionais diante dos conflitos em curso no mundo é motivo de grande apreensão.
Segundo ele, a diplomacia baseada no diálogo e na busca de consensos está sendo substituída por práticas sustentadas pela imposição da força. “A guerra voltou a ser tratada como algo aceitável, e um entusiasmo pela guerra está se espalhando”, declarou o pontífice, eleito em maio, diante de cerca de 184 embaixadores credenciados junto à Santa Sé.
Venezuela e direitos humanos
Ao mencionar a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, determinada pelo presidente Donald Trump no fim de semana anterior, o papa pediu que os governos do mundo respeitem a vontade do povo venezuelano. Ele acrescentou que é dever dos Estados garantir os direitos humanos e civis da população do país.
O pronunciamento integra o discurso conhecido informalmente como o “estado do mundo” do papa. Foi a primeira vez que Leão fez esse tipo de intervenção desde que assumiu o cargo, após a morte do papa Francisco. Entre os presentes estavam os embaixadores dos Estados Unidos e da Venezuela junto ao Vaticano.
Antes de se tornar papa, Leão — então cardeal Robert Prevost — atuou por décadas como missionário no Peru. Ele já havia criticado políticas adotadas por Trump, sobretudo na área migratória, mas evitou citar o presidente norte-americano nominalmente no discurso.














