Pastor é investigado por assediar menores dentro da igreja Lagoinha

Em nota, igreja diz que afastou o pastor
Culto na Lagoinha. Foto: reprodução

O pastor Lucas Tiago de Carvalho Silva, que atuou pela Igreja Batista da Lagoinha, é investigado sob suspeita de crimes contra a dignidade sexual de dois fiéis adolescentes, hoje com 16 e 17 anos.

Decisão da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente de Belo Horizonte impôs medidas protetivas urgentes contra o religioso, fundamentadas na Lei Henry Borel.

De acordo com informações da Folha, Lucas que atuava como líder de adolescentes na unidade do bairro São Geraldo, na região leste da capital mineira, é investigado por suposto aliciamento e prática de atos libidinosos.

De acordo com o documento judicial, ele utilizava sua “eloquência pastoral” e posição religiosa para manipular jovens e seus familiares, dissimulando intenções sexuais sob o pretexto de amizade e aconselhamento espiritual. As denúncias detalham métodos distintos de abordagem para cada vítima.

No caso de um dos adolescentes, a interação teria começado após a criação de um grupo de estudos de livros cristãos. As conversas evoluíram para o envio de fotos e vídeos de conteúdo sexual, incluindo mídias do pastor nu e se masturbando. O suspeito utilizava mensagens de visualização única e alegava estar em “crise no casamento” e sem manter relações sexuais com a esposa para ganhar a confiança do menor.

No caso da segunda vítima, as investidas teriam acontecido na cozinha da unidade e sobre tatames utilizados para oração. O investigado teria praticado toques abusivos, beijos no pescoço e sexo oral. Em depoimento à Polícia Civil, a mãe desse jovem disse que Silva “usava sua lábia” para convencê-la a mandar o filho à igreja.

Os adolescentes também foram ouvidos na delegacia. Um deles disse que, se no início a relação acontecia “de forma normal, com abraço e carinho”, no final “já foi para um lado que eu considerei abuso e pedofilia”.

A vítima contou que foi abraçada repentinamente na cozinha da igreja e pressionada contra a parede para não escapar. Disse ainda que, nessas horas, ficava sem reação. O outro jovem afirmou que nunca foi abordado quando se encontravam pessoalmente, mas foi exposto mais de uma vez a “conteúdo impróprio no celular” dentro de um carro.

O documento da Justiça narra que Silva foi até a casa de uma das vítimas e forçou o portão da residência após ter a entrada negada pelos pais. O juiz determinou que o ex-pastor mantenha distância mínima de 500 metros das vítimas, fique proibido de contatá-las por qualquer meio e não frequente os arredores da Lagoinha São Geraldo. O descumprimento pode resultar em prisão preventiva imediata.

Em nota, a Lagoinha afirmou que agiu de forma “imediata e responsável” ao tomar conhecimento das denúncias no final de janeiro. Silva foi afastado do cargo na ocasião.

A mãe de um dos jovens, no entanto, relatou ter sofrido represálias da comunidade, com membros questionando “o que a família tinha aprontado” para prejudicar o pastor. Ela disse que o apoio jurídico prometido foi “vago e ineficaz”. A defesa de Silva não foi localizada para comentar as acusações. O caso segue em inquérito policial.

Com DCM

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