
A Polícia Federal (PF) manifestou surpresa e incômodo com as críticas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à atuação da corporação na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Segundo relatos de integrantes da PF, o tom dos despachos, que mencionam “inércia exclusiva” e “inobservância expressa e deliberada” de ordens, foi recebido como um endurecimento inesperado.
De acordo com fontes da PF, a deflagração da operação na quarta-feira, 14, só foi possível após a própria corporação apresentar um novo requerimento e fundamentos ao STF. Elas destacam que, em despacho de 13 de janeiro, o próprio Toffoli registrou ter reconsiderado “em parte” uma decisão anterior após “ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria-Geral da República (PGR)”. Para os agentes, isso mostra que a atuação foi contínua e que a autorização para novas diligências veio após uma revisão do relator, não por inércia da polícia.
A assessoria da Polícia Federal informou que a instituição respondeu aos questionamentos do ministro dentro do prazo de 24 horas estabelecido pelo STF, prestando esclarecimentos diretamente nos autos da Petição 15.198, que tramita sob sigilo. A corporação não divulgou o conteúdo da resposta. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não se manifestou até o fechamento.
As críticas de Toffoli vieram acompanhadas de decisões que aumentaram o controle do STF sobre o caso. O ministro determinou que todo o material apreendido seja lacrado e mantido sob custódia direta do Supremo e ordenou que o diretor-geral da PF prestasse esclarecimentos formais sobre o descumprimento do prazo inicial para as diligências. A operação, que já resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens, expôs um raro atrito institucional entre a Corte e a polícia.














