PGR acusa Eduardo de articular “tarifaço” e cenário de caos

Denúncia cita que deputado chegou a apelidar sobretaxas de "tarifa Moraes" e atuou para vincular medidas comerciais ao STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) detalha na denúncia que Eduardo Bolsonaro articulou ativamente pelo “tarifaço” de 50% contra produtos brasileiros, chegando a apelidar as sobretaxas de “tarifa Moraes” em referência ao ministro do STF. Segundo o documento, o deputado atuou para vincular as medidas comerciais à pressão sobre o Judiciário brasileiro.

A denúncia, apresentada em 21 de setembro, utiliza declarações públicas, entrevistas, postagens e mensagens do celular apreendido de Jair Bolsonaro como provas. A PGR afirma que Eduardo “empenhou-se a todo custo” para criar um cenário de que o Brasil enfrentaria o colapso de tecnologias e sistemas essenciais caso seu pai não fosse poupado das consequências penais.

Coordenação internacional

As articulações começaram a produzir “reflexos concretos a partir de maio de 2025”, quando autoridades norte-americanas passaram a se manifestar publicamente em sintonia com os pedidos de sanções.

Mensagens revelam que Eduardo instruía o pai sobre o momento e conteúdo de manifestações públicas, alertando em um diálogo: “Se você disser algo sobre EUA que não se encaixar com o que estamos fazendo aqui, pode enterrar algumas ações”.

Esta investigação foi determinante para a prisão de Jair Bolsonaro, com investigadores e o ministro Alexandre de Moraes entendendo ser necessária medida mais dura para coibir interferências no processo da trama golpista. A PGR sustenta que Eduardo e Paulo Figueiredo atuaram para afastar outros atores políticos da interlocução com os EUA, buscando manter o monopólio das pressões sancionatórias contra o STF.

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