29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Mundo

Presidente do Haiti é assassinado em casa e primeiro-ministro declara estado de sítio

Jovenel Moise, foi assassinado a tiros hoje em um ataque a sua residência

Em pronunciamento, o primeiro-ministro do Haiti, Claude Joseph, declarou estado de sítio em todo o país, horas após o anúncio do assassinato do presidente da nação caribenha, Jovenel Moise.

“Acabo de presidir a uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros e decidimos declarar o estado de sítio em todo o país”, disse Joseph. A medida concede amplos poderes ao governo haitiano.

Joseph foi quem, hoje pela manhã, anunciou, através de comunicado, a morte de Jovenel Moise. “O presidente foi morto na casa dele por estrangeiros que falavam inglês e espanhol. Eles atacaram a residência do presidente da República”, afirmou mais cedo.

Segundo Joseph, a mulher do presidente, a primeira-dama Martine Moise, ficou ferida no ataque e foi hospitalizada. O premiê pediu calma à população e afirmou que a polícia e o Exército já estão encarregados de manter a ordem no país.

Assassinato

O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros hoje em um ataque a sua residência, anunciou o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph, que colocou o país em estado de sítio. Moise tinha 53 anos.

O ataque ocorreu em meio a uma onda crescente de violência política no país. Com o Haiti politicamente dividido e enfrentando uma profunda crise humanitária e escassez de alimentos, há temores de uma desordem generalizada. Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) voltou a condenar a violência no país.

Porto Príncipe vem enfrentando um aumento na violência com gangues lutando entre si e com a polícia pelo controle das ruas. Essa violência foi alimentada por um aumento da pobreza e da instabilidade política.

Moise vinha enfrentando protestos ferozes desde que assumiu a presidência em 2017, com a oposição o acusando de tentar instalar uma ditadura ao prolongar seu mandato e tornar-se mais autoritário, acusações que ele sempre negou.

Desde janeiro de 2020, o presidente governava por decreto, já que não houve eleições no Haiti nos últimos anos.

Golpe

Originário do mundo empresarial, Moise tinha 53 anos de idade e governava o Haiti, país mais pobre das Américas, desde fevereiro de 2017. No entanto, ele vinha exercendo o cargo por decreto após o adiamento das eleições legislativas previstas para 2018 e em meio a uma disputa sobre quando termina seu mandato.

Nos últimos meses, líderes da oposição exigiram sua renúncia, argumentando que seu mandato terminou legalmente em fevereiro de 2021. Moise e seus apoiadores, porém, sustentam que seu mandato de cinco anos começou quando ele assumiu o cargo no início de 2017, após uma eleição caótica em 2015 que forçou a nomeação de um presidente provisório por cerca de um ano.

O empresário havia vencido o primeiro turno das eleições em outubro de 2015, porém o pleito acabou anulado e repetido em novembro de 2016, quando Moise obteve 55,6% dos votos, conquistando o cargo sem necessidade de segundo turno.

Em fevereiro deste ano, autoridades haitianas denunciaram uma “tentativa de golpe” de Estado contra Jovenel Moise, que teria sido alvo de um atentado frustrado. Na ocasião, 23 pessoas foram detidas, entre elas um juiz e uma oficial da polícia nacional.

O mandatário teve uma série de primeiros-ministros ao longo dos últimos quatro anos, e o próprio Joseph seria substituído nesta semana, após três meses no cargo, por Ariel Henry, que teria a incumbência de organizar eleições gerais.

O Haiti também tem previsto para setembro um referendo sobre uma reforma constitucional que abole o cargo de primeiro-ministro, instituindo um sistema presidencialista pleno, e abre a possibilidade de o chefe de Estado ter dois mandatos consecutivos —atualmente, é preciso respeitar um intervalo mínimo de cinco anos.