
Decano da imprensa alagoana, o jornalista Aldo Ivo, irmão do escritor e poeta Ledo Ivo, chegou em Maceió na década de 60 e desde então sempre morou na Rua Graciliano Ramos, no bairro do Jaraguá. “Tinha muito orgulho de morar num local que homenageava o grande escritor caeté”, diz ele.
Mas, de repente descobre, por meio de correspondências recentes, que mudaram o nome da rua para Avenida Jucá Ventos Nunes.
O CEP confere: trata-se do mesmo logradouro, agora com novo nome.
A mudança realmente aconteceu e de forma desnecessária, como já ocorreu com diversas ruas e avenidas que perderam sua identidade original, para homenagear pessoas que nada têm a ver com a história de Maceió e da sua gente.
Se era para homenagear outra pessoa, o que não falta na cidade é rua sem nome, identificada apenas com letras do alfabeto ou como “Rua em Projeto”. No Henrique Equelman, por exemplo, tem um alfabeto inteiro de ruas aguardando nominação. E isso acontece em toda área de expansão de Maceió, sobretudo na região do Tabuleiro. De tal forma que às vezes os próprios carteiros dão o nome do pai, da mãe, dos filhos, da sogra, do gato, a ruas sem identificação, para facilitar o trabalho de entrega de correspondências.
Aliás, segundo a diretoria dos Correios em Alagoas, a falta de nomes oficiais de ruas e avenidas – assim como a duplicidade na identificação – é responsável pela devolução de cerca de 30% das correspondências, o que equivale a alguns milhões de itens, mensalmente, que não chegam a seus destinatários.
Por que, então, retirar de uma rua o nome do grande mestre da literatura brasileira, que honrou Alagoas com sua trajetória, para homenagear quem quer que seja?
Com toda razão, Aldo Ivo não gostou nada da troca, e resume sua indignação em duas perguntas:
1 – Que foi Graciliano Ramos?
2 – Quem foi Jucá Nunes?
PS: Lamentamos muito, meu caro, mas para a segunda pergunta, nem o Google tem a resposta.














