Relatório independente questiona mapa de risco da Defesa Civil da mineração em Maceió

Entre as recomendações estão a revisão imediata do Mapa de Ação Prioritária e a criação de um mapa detalhado de níveis de danos

Um estudo técnico-científico inédito, apresentado nesta sexta-feira (8) em audiência pública no auditório do Cesmac, revelou falhas no mapa de criticidade utilizado pela Defesa Civil de Maceió para delimitar as áreas de risco afetadas pela subsidência causada pela mineração da Braskem.

O relatório, elaborado por pesquisadores do INPE, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), University of Leipzig, Leibniz University Hannover e GFZ – Helmholtz Centre for Geoscienses, apontou que a metodologia adotada pelo poder público não segue padrões internacionais e pode estar subestimando riscos em regiões como Bom Parto e Flexais, atualmente fora da zona de realocação.

O doutor em Geologia Marcos Eduardo Hartwig, um dos coordenadores do estudo, destacou que o critério de 5 milímetros para definir zonas de criticidade é insuficiente.

Dados analisados entre junho de 2019 e dezembro de 2024 mostram que os Flexais, por exemplo, registram deslocamentos verticais de até 10 mm/ano e horizontais ainda maiores.

O relatório também identificou que movimentações do solo começaram pelo menos em 2004 – muito antes do colapso oficialmente registrado em 2018 –, o que explicaria danos estruturais em imóveis que hoje constam como “baixo risco”.

A pesquisa, encomendada pelo Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública de Alagoas, combina imagens de satélite (tecnologia A-DInSAR), levantamentos de campo e dados públicos.

Entre as recomendações estão a revisão imediata do Mapa de Ação Prioritária, a criação de um mapa detalhado de níveis de danos nas edificações e a manutenção do monitoramento contínuo, especialmente em áreas periféricas como a Estação de Tratamento de Água Cardoso, que apresenta fissuras progressivas apesar de intervenções recentes.

O defensor público Ricardo Melro informou que encaminhará as conclusões ao prefeito JHC e à Defesa Civil, podendo recorrer ao Judiciário caso não haja respostas.

Em nota, a Defesa Civil afirmou não ter sido convidada para o evento e defendeu o atual mapa, elaborado em parceria com a Defesa Civil Nacional, CPRM e UFPE. O órgão ressaltou que o monitoramento é contínuo e que não há indicações para ampliar a área de risco, citando até redução de afundamentos em algumas regiões.

O estudo reforça a necessidade de transparência e revisão técnica independente, já que comunidades como os Flexais enfrentam isolamento social e danos não reconhecidos oficialmente.

A Defensoria alerta que a subnotificação de riscos pode agravar a situação de milhares de moradores caso medidas mais abrangentes não sejam adotadas.

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