
Mais de 24 horas depois de determinar a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para depor na Policia Federal, o juiz federal Sérgio Moro tentou justificar a medida, por meio de nota divulgada na tarde deste sábado (5). Ele diz que autorizou a realização de buscas e apreensões, bem como a condução coercitiva, em atendimento a pedido do Ministério Público Federal (MPF), mas esclarece que isso não signifca “antecipação de culpa” do ex-presidente.
Na mesma nota, o juiz repudia os atos de violência ocorridos durante essas manifestações, ocorridas em diversos pontos do país, principalmente em frente ao Aeroporto de Congonhas, onde Lula prestou depoimento à PF, e em frente à residência do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, logo depois que se espalharam as notícias sobre o depoimento.
Leia, na íntegra, a nota assinada pelo juiz Sérgio Moro:
Nota oficial da 13ª Vara Federal de Curitiba
A pedido do Ministério Público Federal, este juiz autorizou a realização de buscas e apreensões e condução coercitiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento. Como consignado na decisão, essas medidas investigatórias visam apenas o esclarecimento da verdade e não significam antecipação de culpa do ex-Presidente.
Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-Presidente. Lamenta-se que as diligências tenham levado a pontuais confrontos em manifestação políticas inflamadas, com agressões a inocentes, exatamente o que se pretendia evitar.
Repudia este julgador, sem prejuízo da liberdade de expressão e de manifestação política, atos de violência de qualquer natureza, origem e direcionamento, bem como a incitação à prática de violência, ofensas ou ameaças a quem quer que seja, a investigados, a partidos políticos, a instituições constituídas ou a qualquer pessoa.
A democracia em uma sociedade livre reclama tolerância em relação a opiniões divergentes, respeito à lei e às instituições constituídas e compreensão em relação ao outro.
Curitiba, 05 de março de 2016.
Sergio Fernando Moro
Juiz Federal














