SSP: PTK teria sido recrutado para ser o braço político do Comando Vermelho em Alagoas

Segundo as informações, influenciador viajou ao Rio de Janeiro para reuniões com Nem Catenga e ao retornar intensificou a atuação política

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) divulgou detalhes da Operação Morro do Alemão, que prendeu 9 pessoas, entre elas um influenciador digital, durante coletiva no final da manhã desta quarta-feira (3). A ação é resultado de investigação conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), que identificou uma estratégia do Comando Vermelho para inserir representantes da facção no cenário político alagoano.

A operação cumpriu mandados em Maceió, Marechal Deodoro e na cidade de Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. Um dos criminosos reagiu à abordagem policial, foi baleado, mas não resistiu aos ferimentos. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, especializada em organizações criminosas.

O principal alvo da ação é o influenciador digital Patrick de Almeida Silva, mais conhecido como PTK, apontado pela investigação como o escolhido pelo traficante Nem Catenga – líder do CV em Alagoas – para representar os interesses da organização criminosa junto ao poder público.

Após a prisão do influenciador digital Patrick de Almeida Silva, mais conhecido como PTK, o secretário da Segurança Pública, Flávio Saraiva, destacou o caráter integrado da operação e o papel da inteligência no monitoramento sistemático de alvos vinculados ao crime organizado.

A Operação Morro do Alemão prendeu 9 pessoas, entre elas PTK. Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3), o Secretário de Segurança destacou que a ação é resultado de investigação conduzida pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), que identificou uma estratégia do Comando Vermelho para inserir representantes da facção no cenário político alagoano.

Ainda destacou que o principal alvo da ação, PTK,  é o o escolhido pelo traficante Nem Catenga – líder do CV em Alagoas – para representar os interesses da organização criminosa junto ao poder público.

Candidato indicado pela facção

De acordo com as investigações, PTK teria sido incentivado a disputar uma vaga na Câmara Municipal de Maceió nas eleições de 2024 e, posteriormente, passou a se apresentar como pré-candidato a deputado federal. A polícia afirma que o influenciador chegou a viajar ao Rio de Janeiro para reuniões com Nem Catenga e, ao retornar ao estado, intensificou a atuação política.

O delegado Igor Diego, que participou da coletiva na sede da SSP, afirmou que a investigação reuniu áudios, imagens, vídeos, relatórios de inteligência e outros elementos probatórios que indicariam a aproximação entre o influenciador e integrantes da facção.

“Grupos criminosos buscam criar lideranças políticas próprias para representar seus interesses junto ao poder público e fortalecer sua presença em comunidades dominadas pelo tráfico. A atuação dessas lideranças pode dificultar a entrada de outros candidatos em áreas controladas pela facção, além de reforçar a influência dos criminosos sobre moradores dessas localidades”, detalhou.

Violência registrada e monitorada

Durante a coletiva, a SSP/AL exibiu vídeos obtidos ao longo da investigação que mostram situações de violência praticadas por integrantes do grupo em áreas sob domínio da facção, incluindo episódios de punições internas – conhecidas no ambiente criminal como “disciplinas”. Elas eram aplicadas contra pessoas acusadas de descumprir regras impostas pela organização.

Conforme a investigação, esses registros eram enviados para lideranças da organização no Rio de Janeiro, responsáveis por monitorar e acompanhar a atuação dos integrantes em Alagoas. A polícia informou ainda que possui materiais considerados mais sensíveis, não divulgados publicamente para não comprometer o andamento das investigações.

Incompatibilidade patrimonial

Outro ponto destacado na coletiva foi a situação financeira de PTK. O delegado Gustavo Henrique afirmou que há indícios de incompatibilidade entre o padrão de vida exibido pelo influenciador nas redes sociais e a renda formal identificada até o momento.

“A análise financeira do investigado será aprofundada nas próximas fases da operação. Entre os pontos que serão apurados estão a origem dos recursos utilizados para manutenção de seus negócios e eventual financiamento de atividades políticas”, revelou o delegado.

Durante a operação, foram apreendidos com o influenciador R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos celulares de alto valor comercial, joias e dispositivos de armazenamento digital. Serão investigadas ainda atividades empresariais ligadas ao influenciador nos setores de vestuário e comercialização de celulares.

 

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