
Estava mais que estranho o rito do governo de São Paulo para neutralizar as investigações da Polícia Federal nos Estados, principalmente contra gente poderosa. E essa mobilização começou logo após a operação Carbono Oculto, quando a PF descobriu a lavagem de dinheiro do PCC em postos de combustíveis pelo País e em empresas do centro financeiro paulista, na Farias Lima.
Ora, a PF na Farias Lima? Impensável, para os ricos. E lá se foi o governador Tarcísio de Freitas dizer aos banqueiros que “é preciso mudar o CEO”. Isso em referência ao presidente do Brasil.
E assim foi mais além. Liberou do cargo seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite, que é deputado federal, e o mandou para Câmara para ser relator do projeto Antifacção, apresentado pelo governo federal. A missão do relator, devidamente combinado com o presidente da Câmara, Hugo Motta, era alijar a Polícia Federal das investigações contra o crime organizado nos Estados.
Soma-se isso o fato de todo e qualquer dinheiro apreendido em operações realizadas nos Estados, ser de imediato levado ao fundo de segurança pública de cada ente federativo. Ou seja, dinheiro enche os olhos, sempre.
Enfim, o relatório aprovado nesta terça-feira, 18 na Câmara, não apenas restringe o papel da Polícia Federal nas investigações ao crime organizado, como também limita os recursos financeiros para atuação dos agentes da instituição. Como foi aprovado, o relatório blinda as organizações criminosas de colarinho branco.
Se já tivesse sido aprovado e sancionado antes, a operação da PF contra contra o banco Master, esta semana, não teria acontecido. O dono banco foi preso quando fugia do País em um jatinho de mais de R$ 200 milhões. Esse mesmo banco fez acordo com governadores e prefeitos do País para que depositassem recursos dos planos de previdência em seus cofres.
Aliás, segundo a Veja, a PF desmontou um esquema do banco que unia em uma novela corrupta banqueiros, políticos influentes e uma operação bilionária suspeita envolvendo o Banco de Brasília (BRB), além de igreja evangélica.
Portanto, há muita coisa por trás do relatório assinado por Derrite – com o aval de Tarcísio e Motta – que o brasileiro não conhece. Mas já pode perceber que o projeto se transformou em uma espécie de PEC da Bandidagem 2.0, que impede a PF de chegar aos criminosos ricos e poderosos, principalmente se for no coração financeiro do País.
Ou seja, a Câmara aprovou o pacote que estabelece a regra dita por Maquiavel: “Aos amigos, os favores, aos inimigos a lei”.
E que lei…














