Uma pesquisa inédita da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados indica que a maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala de trabalho 6×1, mas que esse apoio está fortemente condicionado à preservação dos salários. De maneira geral, 63% da população se dizem favoráveis ao encerramento do modelo atual, enquanto 22% são contrários. Quando a proposta é apresentada sem impacto negativo na remuneração, a taxa de aprovação sobe para 73%.
O levantamento revela que apenas 28% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1 independentemente de eventual redução salarial. Outros 40% só aprovam a mudança caso não haja diminuição proporcional dos vencimentos, e 5% afirmam ser favoráveis, mas ainda sem opinião formada quanto à condição salarial. Os dados indicam uma percepção pragmática da população, que tende a apoiar jornadas menores desde que isso não comprometa a renda mensal.
A pesquisa foi estruturada em duas etapas. Primeiro, os entrevistados foram questionados sobre a concordância ou não com o fim da escala 6×1, sem menção ao impacto nos salários. Em seguida, a Nexus aprofundou o tema: aos favoráveis, perguntou se manteriam a posição mesmo com redução salarial; aos contrários, se mudariam de opinião caso a medida não afetasse os rendimentos. O resultado final aponta uma opinião pública dividida e sensível à questão econômica.
Outro dado que reforça essa leitura é o amplo apoio à ampliação do descanso semanal: 84% dos brasileiros defendem que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de folga por semana. Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a resistência surge quando a discussão envolve perda de renda. “A maioria vive com orçamento apertado e depende do salário integral, o que explica a rejeição quando há risco de redução”, afirma.
O debate ganhou novo fôlego no Congresso Nacional após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, encaminhar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. O texto ainda precisa passar pela CCJ, por uma comissão especial e, posteriormente, pelo plenário da Casa. Para 52% dos entrevistados, a proposta será aprovada pelo Congresso; 35% acreditam que não avançará, e 13% não opinaram.
Apesar do alto índice de apoio, o nível de informação sobre a proposta ainda é limitado. Embora 62% dos brasileiros afirmem já ter ouvido falar do tema, apenas 12% dizem entender bem o conteúdo da PEC. Outros 35% nunca tiveram contato com a discussão. A pesquisa mostra, contudo, que quanto maior o conhecimento sobre o projeto, maior é a aprovação: entre os que entendem bem a proposta, 71% são favoráveis, percentual que cai para 69% entre os que conhecem pouco e para 55% entre os que nunca tinham ouvido falar do assunto.
O apoio ao fim da escala também varia conforme o perfil político do eleitorado. Entre os que votaram no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022, 71% se dizem favoráveis à proposta. Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o índice de aprovação é de 53%.
Metodologia
A pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou 2.021 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as 27 unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.














