As raposas, as uvas e o trabalho análogo à escravidão nos vinhedos do sul

Comércio e Industria de Bento Gonçalves defendem o trabalho escravo e culpam o sistema assistencialista
Trabalho escravo enriquecem os vinhedos no sul

Foi lá no governo Temer que o Congresso Nacional em uma atitude vampiresca, praticamente aniquilou a legislação trabalhista do País.

Houve então a festa das raposas do capital. Comemorações em laranjais, campos de soja e a gritaria eufórica “bacconiana” nos vinhedos do sul, regada a espumantes.

Exagero? Não mesmo.

O desmonte das leis trabalhistas proporcionou o retorno do trabalho escravo contemporâneo. Com direito a prisão e tortura nas fazendas e vinhais, como os das empresas gaúchas de Bento Gonçalves, descobertos recentemente em operação do Ministério do Trabalho.

Não foram descobertos antes por que, praticamente, o governo passado fez o desmonte dos sistemas de fiscalização contra essas empresas acostumadas a maus tratos de trabalhadores.

E eis que o crime do regime de escravidão nas serras gaúchas foi atestado e reconhecido pelas vinícolas envolvidas, que logo trataram de descolar a própria imagem das terceirizadas que contrataram a mão de obra nordestina.

Mas, o pior de tudo foi a declaração do Centro da Indústria e do Comércio de Bento Gonçalves (CIC-BG) na defesa desse mercado triste.

Em nota oficial, o centro diz:  “Situações como esta, infelizmente, estão relacionadas a um problema que há muito tempo vem sendo enfatizado e trabalhado pelo CIC-BG e Poder Público local: a falta de mão de obra e a necessidade de investir em projetos e iniciativas que permitam minimizar este grande problema. Há uma larga parcela da população com plenas condições produtivas e que, mesmo assim, encontra-se inativa, sobrevivendo através de um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”.

Além de um descarado atestado da prática do trabalho escravo nos vinhedos sulistas, a declaração do CIC-BG constitui um amontoado de uvas apodrecidas. Ora se há falta de mão de obra, pague bem e respeite o trabalhador  em sua atividade.

Não o fazem nem o fizeram. Agora, tentam responsabilizar a população por não querer ser mão de obra barata e escravizada em suas fazendas.

Depois de tudo culpam “um sistema assistencialista que nada tem de salutar para a sociedade”.

Ora vejam: Passaram 4 anos aplaudindo o sistema e, agora flagrado na prática criminosa, atiram pedras de forma irresponsável e preconceituosa.

Mas, não falaram de seus lucros milionários conquistados exatamente pela via do crime, com a prática da escravatura nos vinhedos.

São, portanto, umas raposas predadoras da mão de obra vulnerável e das condições sub humanas para os que lhe servem.

São as raposas e suas uvas dos tempos modernos, cruéis e mais que estranhos do sul do Brasil .

 

 

 

 

ÚLTIMAS
ÚLTIMAS