Braskem: Liminar é derrubada e Fundo segue sem receber dinheiro da Prefeitura de Maceió

Defensores Públicos afirmam que Prefeitura abandonou as vítimas diretas da tragédia ao não ter destinado qualquer quantia

Se uma decisão monocrática do desembargador Marcio Roberto Tenório determinava que a Prefeitura de Maceió repassasse R$ 25 milhões  ao Fundo de Amparo ao Morador (FAM), outra, do desembargador Fábio Ferrario, derrubou a liminar e moradores seguem sem receber.

O valor total da parcela do acordo transferida, hoje, é de R$ 250 milhões, mas de acordo com Ferrario, o recurso da Defensoria Pública que motivou a decisão de Márcio Roberto não possuía manifestação do primeiro grau. E tudo fica como está.

Os defensores públicos Ricardo Melro, Daniel Alcoforado e Lucas Valença entraram com uma Ação Civil Pública solicitando que a Justiça obrigue o prefeito de Maceió, JHC a destinar os R$ 250 milhões que serão pagos pela Braskem, em 15 de julho, para o FAM.

Para os Defensores Públicos que assinaram a peça, a Prefeitura abandonou as vítimas diretas da tragédia ao não ter destinado qualquer quantia ao FAM, como o próprio prefeito, por diversas vezes, em suas redes sociais, afirmou que iria fazer.

“Além disso, foi o próprio Prefeito que promulgou um Decreto Municipal que não só criou o fundo como também previu o repasse de verbas do acordo para as vítimas, de modo que sua postura, criou, nas vítimas diretas da tragédia, a legítima expectativa de que também seriam contempladas pelo acordo. Ao se eximir de cumprir com aquilo que prometeu às vítimas, a Prefeitura adota uma postura não só omissa, mas também desumana”.

Os Defensores relatam, ainda, que, quando questionado, o Município alegou que o Fundo de Amparo ao Morador não seria um fundo, mas na verdade um programa de ações voltado às vítimas, e que, portanto, não teria recebido nenhum repasse.

Os Defensores, no entanto, rebatem a alegação pois sustentam que a aplicação de recursos é justamente o objeto de criação de qualquer fundo, restando evidente que o Município, em verdade, deseja voltar atrás no compromisso assumido perante a sociedade e, especialmente, as vítimas da tragédia, que, além de sofrerem com a conduta criminosa da Braskem, agora experimentam o abandono do Município.

A ação se baseia em diversas promessas públicas feitas pelo prefeito e alguns de seus assessores. A prefeitura havia prometido publicamente que destinaria parte do dinheiro da indenização da Braskem, no valor de R$ 1,7 bilhão, ao Município para o Fundo de Amparo ao Morador (FAM), criado pela própria prefeitura para apoiar os moradores das áreas atingidas.

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