21 de maio de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Nome para o STF, Dino sofre processo de fritura e é defendido por Lula e aliados

Visita de esposa de líder do CV com membros da pasta da Justiça divulgada por matérias do Estadão e políticos bolsonaristas inflamam a situação

O ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), iniciou a semana recebendo ataques da oposição por causa da reunião de membros da pasta da Justiça com esposa de um homem apontado como líder do Comando Vermelho no Amazonas.

Membros do governo federal já tinham usado as redes sociais para manifestar apoio ao ministro na terça (14), mas como os ataques vieram em peso, a mobilização em defesa de Dino foi reforçada durante o feriado da Proclamação da República (15) com publicações de Lula, do primeiro escalão e de parlamentares da base.

Até mesmo Dino reconheceu o esforço de aliados e agradeceu em suas redes sociais:

As manifestações pró-Dino nas redes ocorreram, segundo os parlamentares, de forma espontânea, e não por orientação do governo. A avaliação é a de que a defesa do ministro “em praça pública” foi desencadeada pela própria posição de Lula.

No começo desta quarta, o presidente afirmou que Dino tem sofrido ataques “absurdos” e “artificialmente plantados”. O petista disse que a atuação do Ministério da Justiça em diferentes frentes, como a defesa da democracia, tem despertado “muitos adversários”.

Notícia no Estadão

O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, que informou sobre Luciane Barbosa Farias, esposa do líder da facção, se reunir no Ministério da Justiça em março.

Ela se encontrou com o secretário de Assuntos Legislativos da pasta, Elias Vaz. Em maio ela esteve com Rafael Velasco, secretário da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), também vinculada à pasta.

No entanto, o mesmo jornal que considerou em 2018 a escolha entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad como “muito difícil” também distorceu a reunião no Ministério da Justiça.

Estadão disse que ela era condenada por tráfico no momento da reunião, em março e maio desse ano – Luciane, no entanto, não havia sido condenada. Inocentada em primeira instância, ela viria a ser condenada apenas em outubro, mais de 6 meses após o episódio.

A situação foi um desastre de relações públicas para o governo, que piorou após ser confirmado que a viagem de Luciane a Brasília foi custeada pelo Ministério de Direitos Humanos e Cidadania.

A pasta diz que o custeio aconteceu para a participação do Encontro de Comitês e Mecanismos de Prevenção e Combate à Tortura, formado por estruturas com autonomia administrativa e financeira.

Vale constar que a própria Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Amazonas confirmou que a indicação de Luciane Barbosa Farias para reuniões no Ministério da Justiça partiu de comitê vinculado à própria secretaria estadual.

De qualquer forma, o governo já avalia que as últimas notícias envolvendo Dino e o Ministério da Justiça não alteraram o cenário político no Senado. Portanto, ainda haverá resistência da oposição em relação ao nome de Dino, mas quem o já apoiava antes não deve ter mudado de posição.

Claro, isso não impediu nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de acionar a PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo o afastamento do ministro em razão do caso.

Flávio, o 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, é o mesmo que empregou uma família de milicianos no seu gabinete e concedeu a Medalha Tiradentes a um miliciano.

PGR

Antes de uma vaga no STF, Lula deve escolher o sucessor de Augusto Aras na PGR (Procuradoria-Geral da República), cargo que está ocupado pela interina Elizeta Ramos desde setembro. O escolhido pode ser anunciado inclusive até o final desta semana.

A disputa, segundo pessoas próximas a Lula, está hoje entre os subprocuradores Paulo Gonet e Antonio Carlos Bigonha. Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, o presidente tem adiado a indicação porque não se empolgou com os nomes à sua mesa.