21 de maio de 2024Informação, independência e credibilidade
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Considerado e a turma do Gabi: Do metá-metá ao piti

“Metá-metá” uma dose de uísque ou de cachaça em copinho, dividida para dois. Junto com o gole um tira de palito.

 

Os tiras da Turma do Gabi, do Lula e do Grutinha

Entender a turma do “Gabi” não é uma tarefa fácil. Não é para todos, nem tão pouco para todas. É um grupo difícil, acostumado ao debate satírico.  Heterogêneo quanto à visão de mundo, mas homogêneo em um vício que é uma paixão milenar: a cachaça.

Alguns dos integrantes são degustadores dos mais diversos tipos de bebida, aos finais de semana. Outros, quase que todos os dias.

O comum entre os membros do grupo é o tira-gosto, em cada farra. Geralmente uma laranja ou uma cajarana. Seja  qual for, é dividida em partes iguais, depois espetadas em palitos, para mantê-las com o mínimo de higiene. Mas, sempre há atirados dedos sujos, que dispensam a sistematização da limpeza.

Com o tira-gosto vem o rito do “metá-metá”. Ou seja, uma dose de uísque ou de cachaça, dividida para dois. Após cada gole, um tira de palito.

A turma do Gabi poderia ser chamada de turma do Lula Manguito ou do Grutinha. Gabi, abreviatura de Gabiru, é dono de bar. Lula também o é. O Grutinha, é o bar do seu Toinho, na Gruta de Lourdes.

Enfim, esses são os três lugares de Maceió (AL) mais frequentados pelo grupo, cujos integrantes não cansam de reclamar dos valores das contas que são cobradas. Em algumas situações, o que vale trinta reais se cobra cem. Há brigas, xingamentos, juras de não beber nunca mais nesses lugares, mas o dia seguinte é outro dia. Bêbado esquece rápido…

Para entender a turma do Gabi, onde o Considerado foi se aninhar, é preciso conhecer seus personagens. Homens de copos, pitis e pileques homéricos, para grego nenhum botar defeito:

Zoião ou Zoio de Kombi: Ex-atleta azulino, ex-fazendeiro de Porto Calvo e ex-ajudante de ordens de três governos estaduais. Mas, famoso por nunca ter se envolvido em falcatruas. Também afamado como um pé de valsa do antigo Zinga Bar, no litoral maceioense, ao velho Estalão, em Brasília.

Coleguinha: Contemporâneo de Zoião, desde a infância no ex-bairro de Bebedouro, destruído pela Braskem, em Maceió. Homem da ciência, conhecido pela clientela como dr. do dedão. Na juventude foi responsável pelo fechamento de um bar e uma pousada no interior alagoano, devido “penduras” que fez e não pagou. Hoje é um privilegiado da elite da capital, com direito a cartão de crédito da sogra.

Pastor – Empresário e dublê de político. É ainda proprietário da Igreja dos Santos que Ninguém Viu, além de grileiro de terras indígenas na região norte do Estado. Diz-se conservador em nome de Deus, da família e da pátria. Costuma ser pregador da moralidade alheia e dos bons costumes.

Davan ou Tonelada – Sujeito carismático, especialista em vodka e principal provocador da turma do Gabi. É ex-empresário do setor de transportes e do mercado de automóveis. Hoje consultor imobiliário e autodeclarado namorador. Mas, atua também como promotor de eventos. Sua paixão pela bebida russa contrasta com sua devoção ao capitalismo, apesar da escassez do capital.

Magistrado – Homem de profundo saber jurídico, bebedor da cerveja Baden Baden, personalíssima. Dizem que fluente na língua inglesa e assíduo nas viagens à Europa. Principalmente as que são pagas pelo cunhado, um homem endinheirado. Nas horas vagas, um exímio percussionista e amante das figuras pseudos mitológicas.

Dr. Língua Colada – Homem da ciência, cunhado do magistrado. Atende a quase todos da turma em seu consultório, independentemente de plano de saúde. Para os que são torcedores do CSA e não têm plano negocia uma taxa simbólica. Para os regatianos é free.

Batoré – É a figura mais emblemática do grupo. Formado em Direito, sócio de escola particular, especialista no Pronatec e MEI no ramo de factoring. Quer dizer, empresta dinheiro a juros. Só não lhe chamem pelo apelido que ele retorna em qualquer lugar e diz em alto e bom som: –Batoré é a mãe, a puta que lhe pariu e o corno que lhe amassou.

Sargento Garcia – Ex-gerente do falido Produban, ex-gerente de transportadora de valores e atual gerente de empresa especializada em bombardeio. Também ex-coroinha da igreja do Livramento. Hoje saudosista dos tempos em que passou acampado na porta do quartel do EB.

Vik Promoteur – Dono de um notório saber jurídico, profundo conhecedor da elite alagoana, exímio piloto de BMW e degustador de uísque do rótulo blue, embora seja torcedor do CRB. No grupo é um provocador contumaz. Costuma pendurar a conta no bar do Lula.

Carneirão – Também contemporâneo de Zoião e Coleguinha, ex-atleta do São Domingos, ex-primeiro bailarino do Pinheiro, bairro vítima da Braskem. É aposentado, mestre na percussão da zabumba. Foi servidor público e hoje tem como lema: “Errar é o humano”!

Cobra Coral – Pernambucano, torcedor do Santa Cruz, também com título de notório saber jurídico no serviço público federal e especialista no contraditório em qualquer que seja a discussão. Agora entrou para o rol dos namoradores.

Purê Azedo – O capitalista. Ex-servidor público, homem da elite conservadora, especialização em negócios internacionais, responsável por mais de uma dúzia de CNPJs, aqui, acolá e alhures. De quebra, é torcedor flamenguista e ex-cartola do CSA, o time que pediu falência judicial

Portuga – Nasceu em Angola, mas logo fugiu para Portugal e na revolução dos cravos bateu em retirada para o Brasil. Homem do saber no mundo empresarial. Coach do estado mínimo para as empresas “patriotas” do Brasil varonil.

Caceteiro de Mainha – Um autêntico fidalgo. Acolhedor dos amigos no sítio de Mainha. Ex-nome forte da fazenda pública estadual, em décadas passadas, admirador do sertanejo Eucliton e namorador de misses de Arapiraca.

Zé Fumacê – O homem que interpreta e faz maquiagem das contas alheias. Sejam públicas ou privadas. Consultor dos números com vasta clientela. Tem duas paixões: a boemia nos fins de semana e uma boa erva para tragar no quintal, normalmente na companhia de outros personagens do grupo.

Falso Turco – Companheiro e quase enteado de Zé Fumacê. Ambos vivem sem traumas após um bom baseado. Ele é CEO na área de telecomunicações, defensor da cidadania ultrajada e engajado nos grupos de defesa da democracia plena.

Empreiteiro OS – Baiano, construtor de mansões no litoral alagoano e empreiteiro de obras sem licitação do Orçamento Secreto, graças a um famoso prefeito da terra alagoana que o tem como um menino de ouro, nesses tempos reluzentes. O cara é uma joia.

Moto Serra – Penedense da beira do velho Chico, servidor público federal aposentado e homem de fé permanente na megasena. Costuma reunir a galera para fazer “bolão”. É o único que quase não bebe, mas para comer é mais rápido que uma serra elétrica. De preferência 0800.

Braço de Pistola –  Jipeiro e cantor de bolero nas horas vagas. É ex ajudante de ordens de usineiro. Mas, nesse aspecto é mais reservado que o coronel Cid. De joias só entende mesmo de rabo de tatu gordo.

Delega da Sauna – Dizem que já foi homem de ouro em tempos idos. Com fama de bom atirador, defende o lema “bandido bom é bandido morto”, desde que não seja bandido rico. Delega hoje curte a serenidade de um novo amor e vive a cantar Lupicínio Rodrigues.

Traíra de JG – Amigo de infância do Pastor e recebeu o apelido, após negar a casa que cederia ao parça para ser um comitê político. Optou por entregar o imóvel ao adversário e caiu em desgraça. Dizem que foi entregador de toalhas quentes a uma autoridade local, após os banhos em uma famosa sauna,

Considerado – Um zé ninguém. Criado com vó, só teve uma namorada na vida e se mantém apaixonado até hoje. A moça rompeu o relacionamento por exigência do pai que o identificou como um desocupado, que vive das mesadas de dona Ednilda de Orleans e Bragança Lima – a dona Nildinha, ex amante de Zé Fumacê.

Por fim tem o Pequeno Polegar (PP). Mas esse é outro Zezinho, que bebe, come e deixa fiado. E, não raramente, nas contas dos outros.