Do picadeiro para a passarela da Esplanada dos Ministérios, o fim da CPMI do INSS

Bem que dizia Ulysses Guimarães: "No Brasil, quando a classe política quer só aparecer e não resolver nada, cria logo uma comissão".
Foto: Reprodução X

Em ano eleitoral, a CMPI do INSS surgiu como um palco de circo para dar visibilidade as histriônicas performances de parlamentares, de olhos voltados apenas para a campanha eleitoral.

Em pleno “picadeiro” parlamentar houve de tudo: Gente bipolar, bufões, fake news, empurrões, brigas, socos e chutes, tudo gravado por câmeras e celulares, sem que ninguém fosse punido pela falta de decoro.

Já se foi dito que esse é o pior Congresso da história do Brasil e se a sociedade não abrir os olhos, minimamente, a tendência é piorar.

Quem roubou o INSS não foi nenhum pobre e preto da periferia. Se assim fosse estariam todos presos. Ou mortos. Mas, os ladrões foram banqueiros, donos de fintechs e lobistas. Tudo gente branca, alinhada e se dizendo do bem, da pátria, de Deus e da família.

Gente que banca campanhas de deputados e senadores, tal como Daniel Vorcaro do Banco Master, criado na Igreja Lagoinha, que se espalhava pelo País inteiro, lavando dinheiro, segundo as apurações da Polícia Federal.

E assim, em ano eleitoral, o picadeiro das comissões de inquéritos torna-se palco até do inusitado, para que possa viralizar no mundo virtual e assim garantir fama de valentão e moralista para uns e outros no cenário espetacular.

Eis que o STF barra constitucionalmente a prorrogação da CPMI, às vésperas do processo eleitoral, e determina que encerre os trabalhos, obviamente apresentando o relatório do trabalho realizado. E, certamente, a apresentação será outro espetáculo, como uma espécie de “gran finale”.

Aliás, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), logo após a decisão da corte suprema, deixou o palco da comissão foi tentar lacrar nas redes, gravando em plena passarela da Esplanada dos Ministérios, em lamento insosso contra a decisão. Outros o imitarão.

A grande questão, Ulysses Guimarães já dizia nos anos 80: “No Brasil, quando a classe política quer só aparecer e não resolver nada, cria logo uma comissão”.

Alguém duvida?

 

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