24 de maio de 2024Informação, independência e credibilidade
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Ensaio de vaia a Lira no sertão tem reprovação de Lula e Paulo Dantas

Lula disse que Lira tem ajudado e Paulo declarou que não é de arenga. E Lira sorria, talvez com a derrubada de veto do presidente

O presidente Lula (PT) afagou o ego do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), após o parlamentar ter enfrentado um princípio de vaia, quando iniciou discurso no evento de assinatura da construção da quinta etapa do canal do sertão, sem São José da Tapera, no sertão alagoano.

Não apenas, Lula, mas o próprio governador Paulo Dantas (MDB) demonstrou sua chateação na hora em que parte da multidão entoou vaia ao líder da Câmara.

No caso de Lula, afagar Lira é um estado de necessidade. O homem lidera o Centrão – maior bloco parlamentar do Congresso Nacional  – e, portanto, impõe as vontades da maioria do parlamento ao governo. Por isso fez uma fala defendendo a unidade pelo crescimento do País, contra o ódio e pela solidariedade.

O presidente deixou claro no evento que o Partido dos Trabalhadores tem apenas 76 parlamentares na Câmara e 3 no Senado. “Assim, temos que negociar com o Lira para aprovar as matérias do governo, para fazer um Brasil melhor para quem mais precisa. E o Lira tem nos ajudado”, disse o chefe da Nação.

Já o governador Paulo, (muito aplaudido pelos sertanejos) embora chateado, fez um discurso voltado para o respeito às diferenças políticas e para a harmonia na convivência entre as pessoas. “Eu não sou um homem de arenga”, disse.

Mas, deixou claro que sofreu com uma ação injusta na campanha política passada, movida pelos adversários, e que foi necessário o presidente Lula vir a Maceió prestar-lhe solidariedade. Não disse, entretanto, que ação foi ajuizada pelo grupo político comandado por Lira, que nesse momento sorria em palanque.

Também aclamado pelos sertanejos, em um dia de chuva na região, o presidente Lula não disse na ocasião que em sessão conjunta do Congresso, nesta quinta-feira (9), os parlamentares liderados por Lira e pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), derrubaram o veto do presidente a R$ 5,6 bilhões de emendas que compõem o novo arcabouço do antigo orçamento secreto.

A decisão dos deputados e senadores garante a eles, simplesmente, R$ 3,6 bilhões. A quantia será divida na proporção de dois terços para a Câmara e um terço para o Senado, exatamente em um ano de eleições de prefeitos e vereadores no País.

E eles dirão como distribuir a dinheirama com os seus pares, inclusive, com os chamados radicais bolsonaristas.

Nada foi dito e também não poderia. Afinal, o governo fez um acordo com as lideranças para aprovar o projeto de lei que antecipa R$ 15,7 bilhões em despesas neste ano, graças a um dispositivo inserido na recriação do DPVAT.

Enfim, Lula e Paulo deixaram claro que entre mortos e feridos todos se salvam.