2 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Esportes

Flu supera o Boca na prorrogação, conquista título inédito da Libertadores e cicatriza ferida aberta por 15 anos

Vice do torneio em 2008, no mesmo Maracanã que recebeu decisão desta edição, Tricolor reescreve a história diante da tradicional equipe argentina, com cria de Xerém decidindo

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC


Por Dyego Barros

Foram 15 anos de uma longa espera, mas quem acredita sempre alcança e o momento da ‘libertação’ Tricolor enfim chegou. Neste sábado (04/11), o Fluminense pôde reescrever a história, sagrando-se campeão da América no mesmo Maracanã onde, em 2008, amargou um vice-campeonato continental traumático diante da LDU-EQU. Sem deixar se intimidar pela tradicionalíssima camisa do Boca Juniors, o Time de Guerreiros não desperdiçou a nova oportunidade e coroou uma campanha marcada por momentos de superação e a liderança técnica de Fernando Diniz, ao levar a melhor sobre a equipe argentina por 2 a 1, com gols de Cano e John Kennedy, em um embate eletrizante, decidido apenas na prorrogação.

O jogo

Desde os primeiros movimentos da partida, o clima de tensão pairava no ar, mas ao seu estilo o Flu tinha o controle da bola e dominava as ações, até que, aos 36 minutos, uma aproximação entre Árias e Keno permitiu que o camisa 11 achasse Cano dentro da área Xeneize. Sem titubear, o pai de Lorenzo e Lionela arrematou de primeira, no canto direito de Sergio Romero, para abrir o marcador e fazer o L, celebrando seu 13º gol na competição.

Em razão do placar adverso, os hermanos se soltaram na etapa complementar e, numa finalização despretenciosa do peruano Advincula, chegaram ao gol da igualdade, a 18 minutos do fim, para a festa dos bosteros que foram em peso ao Rio de Janeiro e dividiram as arquibancadas do estádio Mario Filho com os cariocas.

Joia de Xerém decide

De volta à estaca zero, Diniz, que havia optado por uma formação inicial mais conservadora, com Martinelli no meio campo, acionou o jovem John Kennedy e profetizou, ao dizer no ouvido do cria de Xerém que o garoto de 21 anos decidiria o jogo. E não é que o John Kennedy estava mesmo predestinado? Ainda no primeiro tempo da prorrogação, o talismã tricolor estremeceu o lado verde, branco e grená do Maracanã, ao concluir uma linda trama ofensiva do Flu com um petardo de perna direita que não deu chance ao arqueiro do Azul y Oro de Buenos Aires.

Já amarelado, John Kennedy recebeu um segundo cartão do árbitro Wilmar Roldán por comemorar o tento anotado no ‘cercadinho’, junto aos torcedores. Embora justificada pelo momento de euforia, a atitude do atleta poderia custar caro ao Flu. Entretanto, o lateral Fabra também deixaria o Boca com 10 homens, um pouco mais adiante, ao perder a cabeça e agredir Nino, em um tumulto quase generalizado.

Título conquistado e reencontro agendado

Desta forma, restou ao Fluminense se defender e esperar pelo momento da consagração, que veio ao apito final do colombiano. Dono da América, o Fluzão ainda terá a chance de se vingar do seu algoz de 15 anos atrás na disputa da Recopa Sul-americana. Isto porque a LDU é a atual campeã da Copa Sul-americana. Mas esse é um assunto para a próxima temporada.

Fato consumado é que, agora, o Tricolor é o décimo primeiro clube do país a poder ostentar o título de campeão da Libertadores. A Fernando Diniz e seus comandados, os louros da Glória Eterna.

Reprodução / ESPN ARG