
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) teve seu mandato preservado após um acordo de última hora que converteu a proposta de cassação em uma suspensão de seis meses, a segunda punição mais grave do Regimento Interno. O plenário da Câmara aprovou a suspensão com 318 votos a favor e 141 contra, superando a maioria absoluta de 257 votos necessária.
Para viabilizar a mudança, foi aprovada previamente uma emenda para trocar a pena (por 226 votos a 220), em uma movimentação que contrariou expectativas, dado o histórico de baixo apoio ao parlamentar, considerado “antipático” por colegas.
A salvação de Glauber foi possível após parte dos partidos do centrão (União Brasil, PSD e PP) liberarem suas bancadas, permitindo o voto sem orientação rígida de líderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também autorizou o voto remoto via aplicativo. A articulação foi conduzida pela líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ), que argumentou haver “exagero” no caso.
Parlamentares de direita justificaram o voto pela suspensão como uma decisão “racional”, já que os números não eram suficientes para alcançar os 257 votos necessários para a cassação, o que faria Glauber sair ileso.
O processo contra Glauber tramitava desde abril, por agressão a um militante do MBL no estacionamento do Congresso Nacional – fato filmado e não negado pelo deputado. Ele alega ter sido provocado por sete vezes e perdido o controle quando sua mãe, à época doente e que viria a falecer, foi xingada.
Em sua defesa, declarou: “Para defender a minha família, eu sou capaz de muito mais do que um chute na bunda. Muito mais.” Glauber também reclama de perseguição política devido a denúncias sobre uso indevido de emendas e críticas ao então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O caso foi marcado por tensões. Glauber fez greve de fome e acampou em uma sala da Câmara, encerrando o protesto após um acordo com Hugo Motta que lhe concedeu 60 dias para articular votos.
A votação, no entanto, foi protelada por meses. Na véspera da sessão, o deputado ocupou a cadeira da presidência e foi retirado à força pela Polícia Legislativa, em cena violenta que resultou em boletins de ocorrência por lesão corporal registrados por Glauber e pelas deputadas Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG). A esquerda acusou Motta de “dois pesos e duas medidas”, lembrando que ele negociou com bolsonaristas que promoveram um motim dias antes, sem uso da força.
Com a suspensão de seis meses, Glauber evita a cassação, que acarretaria a perda dos direitos políticos por oito anos. O acordo, no entanto, gerou efeitos colaterais: o vice-líder do PL, Bibo Nunes (RS), foi destituído do cargo após se manifestar contra a orientação partidária de votar contra a suspensão.














