Gilmar Mendes e o dia em que os palhaços ficaram sem graça

Ministro do STF desmonta a fantasia de “impeachment popular” e deixa a tropa bolsonarista sem palco para a próxima temporada do caos
Foto: Reprodução

Gilmar Mendes acordou de bom humor – ou apenas de saco cheio – e decidiu passar o Brasil a limpo com a borracha constitucional. Pegou a velha Lei do Impeachment, espanou a poeira, jogou fora os anexos escritos em linguagem de corrente de WhatsApp e devolveu ao país a ideia básica de civilização: ministro do STF não cai por votação de churrasco.

Ele suspendeu o trecho que permitia ao Senado afastar magistrados por maioria simples. Maioria simples, veja só: tipo aquela que se forma quando a torcida organizada grita mais alto que o regulamento. Agora precisa de dois terços. Dois terços! A matemática que a tropa bolsonarista odeia, porque exige mais do que bravata, meme e ameaças no X.

E como se não bastasse, Gilmar também extinguiu o artigo que autorizava qualquer criatura com CPF – de tiozão do Zap a influencer indignado em horário comercial – a protocolar pedido de impeachment contra ministros do STF. Fim da farra. Agora, só o procurador-geral da República pode fazer esse tipo de pedido. Adeus, “impeachment por formulário”, “impeachment com foto de perfil patriótica”, “impeachment acompanhado de emoji de bandeira”.

O ministro explicou ainda que esse modelo aberto transformava o impeachment em arma de intimidação, capaz de pressionar juízes a agir conforme o “espírito do dia” – e não conforme a Constituição. Em bom português: queria-se transformar o STF em peão do joguinho de vingança da extrema direita, que não tem projeto, não tem programa, não tem rumo… mas tem uma obsessão: destruir quem não reza pelo manual de ódio deles.

O plano era claríssimo: montar maioria no Senado só para derrubar ministro do Supremo, como quem troca lâmpada queimada. Nada de discutir economia, saúde, educação ou clima. O negócio deles é impeachment como quem coleciona figurinhas.

Gilmar, vendo o desatino, puxou o freio de mão com estilo. Não só barrou os arroubos golpistas disfarçados de “participação popular”, como jogou luz sobre a pantomima bolsonarista. Sem o mecanismo de intimidação, acabou o fio de esperança dos guerreiros digitais. O circo desmontou, os palhaços perderam o roteiro, e o público – cansado de gritar “Fora STF” como mantra vazio – ficou sem show.

No fim das contas, Gilmar não apenas defendeu a independência do Judiciário. Ele prestou um serviço público: mostrou que a Constituição não é brinquedo, que a democracia não é brinquedo e que a paciência institucional tem limite.

E, claro, mandou um recado bem humorado (ainda que não dito): se quiserem brincar de golpe, comprem um tabuleiro. Porque, no Brasil real, o espetáculo acabou – e quem mandou fechar a lona foi ele.

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