1 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Golpe: Zé Dirceu faz contraponto a ministro da Defesa e cobra punição a militares

Múcio disse que ‘podia até ser que algumas pessoas da instituição quisessem, mas as Forças Armadas não queriam um golpe’.

Ex-ministro José Dirceu cobra responsabilização dos militares das Forças Armadas na tentativa de golpe do 8 de janeiro

O ex-ministro e ex-deputado José Dirceu (Zé Dirceu) estreou como colunista do portal Congresso em Foco e não deixou por menos em seu artigo de estreia, quando cobrou a devida responsabilização de miliares das Forças Armadas pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Dirceu faz um contraponto com as declarações do ministro da Defesa, José Múcio, que deu declarações minimizando a participação dos militares na tentativa de golpe

Ele diz no artigo que “o caminho para a construção do golpe de 8 de janeiro começou com o suporte das Forças Armadas ao golpe jurídico-parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e foi pavimentado pelo apoio dos militares à eleição de Jair Bolsonaro em 2018”.

Dirceu diz que esse caminho se ampliou com militares no governo Bolsonaro “pela forte presença  em seu governo autoritário e negacionista, e pela conivência dos chefes militares com os acampamentos em frente aos quartéis pós-eleição de Lula”, avalia.

Um dos conselheiros mais próximos de Lula até deixar o posto de ministro da Casa Civil, em 2005, Dirceu considera que os atos golpistas são uma “consequência natural” do ciclo aberto com a volta dos militares à política brasileira,

E destaca o fato como, “uma vocação histórica não resolvida na transição democrática e na Constituinte de 1988”, com a falta de responsabilização pelos crimes e pelas violações dos direitos humanos praticadas durante a ditadura militar.

Na Defesa

Já o ministro da Defesa do governo Lula, José Múcio, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que havia, nas Forças Armadas, “vontade de algumas pessoas” para um golpe durante os atos de 8 de Janeiro, mas que esse não era o sentimento geral entre os militares. Segundo ele, as invasões aos prédios públicos na Praça dos Três Poderes foram realizadas por um “movimento de vândalos financiado por empresários irresponsáveis”.

Para ele, “podia até ser que algumas pessoas da instituição quisessem, mas as Forças Armadas não queriam um golpe”.