24 de abril de 2024Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Governo de Alagoas debate estratégias de sensibilização do Programa Alagoas Sem Fome

Evento contou com a presença de prefeitos, representantes do poder público e entidades sociais

Programa Alagoas Sem Fome vem sendo estruturado com o objetivo de fortalecer as ações de combate à insegurança alimentar. Foto: Rodrigo Marinho / Ascom Sedics

O Governo de Alagoas reuniu nesta terça-feira (21) prefeitos, representantes do poder público e entidades sociais para debater estratégias voltadas à sensibilização do Programa Alagoas Sem Fome, que vem sendo estruturado com o objetivo de fortalecer as ações de combate à insegurança alimentar do estado.

O evento, coordenado pela secretaria Extraordinária da Primeira Infância (Cria), foi aberto com uma apresentação realizada pela ONU-Habitat Brasil sobre os dados da fome em Alagoas. O coordenador de programas, Alex Rosa, ressaltou que, por meio de trabalhos, a entidade desenvolveu um índice de prosperidade das cidades e o próprio Observatório de Políticas Públicas.

“Cruzando com dados de outras pesquisas de indicadores que nós fizemos, a gente pôde traçar um pouco do cenário da fome aqui em Alagoas. Comparado com o Brasil, é um cenário bastante preocupante. É um desafio enorme para o Estado enfrentar, não é um problema que a gente enfrenta sozinho. É o Estado, são as prefeituras, as organizações sociais, a sociedade. E também esses dados mostraram que a fome está mais presente nas zonas rurais, nos assentamentos rurais”, afirmou.

Ele pontuou ainda que esses dados mostram que a fome afeta mais as mulheres do que os homens, e mais a população negra do que a população branca, por exemplo. “Então, o nosso recado é que a gente possa olhar para o problema da fome de uma perspectiva transversal, a partir de dados e evidências para a gente ter respostas mais precisas para o problema, e, principalmente, essa integração de todos os setores para enfrentamento desse desafio, que não é pequeno. É um desafio enorme e para o qual a gente vai estar junto para avançar cada vez mais, para fazer as cidades serem menos desiguais, que as pessoas possam não sofrer de fome e de insegurança alimentar. Que a gente possa reduzir a insegurança alimentar nas cidades, nas zonas rurais e em todo o estado do Alagoas”, acrescentou.

Após a apresentação da ONU-Habitat, a secretária extraordinária da Primeira Infância, Paula Dantas, fez um balanço das iniciativas do Governo do Estado para combater a fome, a exemplo de programas como Cartão Cria, Cartão Escola 10, Leite do Coração e a Escola do Turismo. Ela lembrou que o Programa Alagoas Sem Fome já está na Assembleia Legislativa para ser apreciado e consequentemente aprovado, e anunciou a construção de uma fábrica na Ceasa, local onde 7,5 toneladas de alimentos por dia são desperdiçados.

“A gente quer fazer uma fábrica para desidratação de sopas e também para fazer polpas de fruta, onde faremos a doação. Iremos abrir editais para instituições e escolas, para que pessoas que estão na extrema pobreza consigam receber esse alimento que está sendo desperdiçado. Além do Alagoas Sem Fome, a gente vai fazer o decreto do Conselho, que vai contar com a sociedade civil, as instituições, todas as secretarias, a AMA, todos os órgãos extragovernamentais, como o TCE e o TJ. A gente vai começar com essas iniciativas burocráticas, mas também a gente já tem algumas novidades que estão em encaminhamentos reais”, disse.

“A gente viu na apresentação da ONU que a fome tem cor, a fome tem gênero; são mulheres, mulheres negras, com filhos. Então a gente está montando esse programa do cartão Alagoas Sem Fome para enviar para a Assembleia pensando em mães que são chefes de família, que tem crianças de 7 a 15 anos, porque aí a gente já pega aquelas pessoas que não estão inseridas no Cria, sem a escolaridade, e que estão extrema pobreza e recebem o bolsa família”, acrescentou.

Paula lembrou ainda que o governo vai construir mais um restaurante popular em Maceió, no bairro do Jacintinho. “A gente já tem dois, um no Benedito Bentes e um no Estádio Rei Pelé. Teremos também o núcleo de ensino e pesquisa, que a gente vai lançar com a Ufal, e Uncisal, a Uneal e a ONU, para que a gente avalie realmente a repercussão dessas políticas. Por exemplo: avaliar se realmente o cartão Cria gera um efeito positivo no combate à fome, se realmente combate a insegurança alimentar. Sobre o cartão Alagoas Sem Fome, a gente precisa estar junto das instituições acadêmicas para que avaliem com pesquisa científica os indicadores, se aquilo realmente está funcionando, e ter humildade para quando não tiver, a gente trocar a rota. Quando tiver, a gente continuar e aumentar”, afirmou.

“Além disso, a gente também está com uma parceria de divulgação para a arrecadação de alimentos. Já temos um espaço na Ponta Grossa, onde as pessoas físicas, jurídicas, as empresas, o setor produtivo, podem fazer a doação desses alimentos. E a gente também está montando uma parceria para ter um aplicativo do Alagoas Sem Fome, no qual as pessoas e as empresas podem doar para a instituição que se identificarem. Sabemos que, quando as pessoas querem fazer uma doação do arroz, do leite, de cem reais, elas fazem. Então, a gente se juntando com uma empresa privada que vai mostrar esses dados com transparência pra gente, vai ser muito importante”.

Ainda no evento, a fundadora da Socialtech Com Paixão, Carol Costa, falou sobre a startup e como ela pode ser importante nesse processo de combate à fome em Alagoas.

“O aplicativo nasceu para poder contribuir com a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social, as pessoas que estão passando fome. Então, o nosso primeiro formato, enquanto tecnologia, veio para conectar as pessoas que têm a vontade de doar com as organizações sociais que demandam de doações para poder facilitar o processo. A gente promove essa contato entre as organizações sociais, mercadinhos locais, porque a gente entende que pode alcançar os beneficiários finais, as pessoas que estão passando fome, mas que também, ao mesmo tempo, a gente consegue contribuir para o desenvolvimento do comércio local. Então, poder contribuir para o projeto Alagoas Sem Fome é invariavelmente a certeza de que a tecnologia e a inovação podem contribuir para o fomento e o desenvolvimento de políticas públicas que tenham como foco o cidadão”, afirmou.