3 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Mundo

Guerras são piores do que o Inferno: No Inferno, não há inocentes envolvidos

Seja Israel x Palestina ou Ucrânia x Rússia, é ingênuo e imoral apoiar totalmente apenas um lado

Foto deletada por Jamie Lee Curtis, apoiadora de Israel, ao ser informa que estas são crianças palestinas

Sempre que há uma guerra, surgem especialistas para explicar todos os lados do conflito. E esses novos “especialistas” normalmente se posicionam completamente fechados, inclinados a apoiar totalmente um dos lados. Tomam a decisão como um tópico simplista, fácil de se abordar.

Quase como se o conflito entre dois países fosse um jogo de futebol para se tornar partido. Ou como no roteiro de um filme de ação ruim, com os mocinhos evidentemente bonzinhos e os vilões completamente malvados.

Claro, ainda temos os “mocinhos” e os “vilões” na vida real, mas o ponto é que não existe entre dois países em guerra um lado onde todos os cidadãos de um país estão certos e em que todos estão errados no outro.

Mas isso sempre aconteceu. Especialmente durante esta era de redes sociais. Quando começou a invasão da Rússia na Ucrânia, de forma surreal, houve quem justificasse afirmando que os ucranianos eram nazistas e mereciam o que aconteceu. Ou que todos os russos eram monstros e que deveriam ser invadidos da mesma forma.

Isso vem acontecendo de forma extrema nesta semana, com a retaliação de Israel contra os hediondos atentados do grupo Hamas, ligado aos palestinos. Hoje temos atores, empresários, políticos, ex-atrizes pornôs, um contingente enorme de pessoas ficando completamente ao lado de um dos envolvidos.

Conflitos, guerras entre países são motivados mais por recursos naturais do que por motivos religiosos. Há todo um contexto histórico pela instalação do Estado de Israel ao redor de vários países muçulmanos, além do não reconhecimento do Estado da Palestina. Mas isso não estaria acontecendo se na Faixa de Gaza não houvesse tanto petróleo ou reservas de gases naturais.

Ao final de tudo, as guerras são motivadas por questões financeiras. Seja para ocupar um local com recursos ricos, ou para investir em poderio militar. Decisões essas tomadas por um pequeno grupo de pessoas, que vilanizam o outro lado, o outro país, contaminando a opinião não só das nações envolvidas, mas de muita gente em todo o mundo.

Tomar partido para um dos lados numa guerra não faz sentido. Aos que pensam nos motivos religiosos, é preciso frisar algo importante: as guerras são piores do que o inferno.

Não há inocentes no inferno. Em teoria, quem está lá fez por merecer. Já a guerra está repleta de inocentes, de todas as idades e crenças. São crianças, deficientes físicos, idosos. Com exceção de alguns líderes questionáveis e os combatentes na linha de frente, quase todos os envolvidos são espectadores inocentes.

Israel foi péssimo, hediondo, por muitos anos com seu tratamento para com os palestinos na Faixa de Gaza. O grupo Hamas, em retaliação, mais do que perdeu a razão. Mas dentre os milhões de envolvidos, que moram naquela região, tudo o que eles querem é sobreviver mais um dia. Jantar com a família. Brincar com os amigos. Colocar os filhos para dormir. Conversar com alguém que amam.

Hoje a maioria absurda das vítimas desta e de todas as outras guerras são pessoas que apenas querem viver mais um dia com seus entes queridos. Não dá para simplesmente pegar uma bomba e dizimar a Palestina. Ou mesmo deixá-los morrer de fome e sede pelos próximos dias. Guerras são horríveis e as respostas para o conflito são complexas. Mas uma coisa podemos dizer: guerras são piores do que o inferno.