25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Interior

Homem que jogou ácido na ex-mulher se apresenta, mas não é preso

Mais de 500 mulheres são agredidas por hora no Brasil

Mais um caso revoltante de agressão contra mulher, desta vez em Alagoas, prossegue com detalhes revoltantes. Agora, o homem que jogou ácido na ex-mulher e na irmã dela, em Marechal Deodoro, se apresentou à polícia e prestou depoimento. Mas apesar de indiciado por tentativa de feminicídio e lesão corporal dolosa, ele não foi preso.

Como lembrou o delegado Leonam Pinheiro, do 17º Distrito Policial da cidade, a apresentação espontânea, segundo o Código de Processo Penal, impede a prisão. Ao menos, ele foi interrogado e indiciado com base na Lei Maria da Penha.

As irmãs precisaram ser socorridas ao Hospital Geral do Estado (HGE). A assessoria da unidade de saúde informou que a ex-esposa sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus na face, couro cabeludo e dorso. A irmã dela sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus na face e punho. Ambas continuavam internadas até o final desta manhã.

Após sair do depoimento, ele pediu desculpas. “Peço desculpas a ela e à família dela. Estou muito arrependido”.

Violência contra a mulher

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima que mais de 16 milhões de mulheres, cerca de 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência durante o ano passado. De acordo com a pesquisa, 536 mulheres são agredidas por hora no país, sendo que 177 sofrem espancamento.

A pesquisa do Instituto Datafolha ouviu 2.084 pessoas em 2018. Mais da metade (52%) das entrevistadas declarou que não procurou ajuda após as agressões; 15% falaram sobre o assunto com a família; 10% fizeram denúncia em delegacias da Mulher; 8% procuraram delegacias comuns; 8% procuraram a igreja e 5% ligaram para o telefone 190 da Polícia Militar.

A violência foi cometida, em 76,4% dos casos, por conhecidos, como cônjuge (23,9%), ex-cônjuge (15,2%), irmãos (4,9%), amigos (6,3%) e pais (7,2%).

Os números indicam que o grupo mais vulnerável está entre os 16 e os 24 anos, pois 66% das mulheres nessa faixa etária sofreram algum tipo de assédio. Na faixa dos 25 aos 34 anos, o índice é de 54% e, dos 35 aos 44 anos, de 33%.

O assédio, que, segundo a pesquisa, atingiu 37% das mulheres, aparece em forma de cantadas ou comentários desrespeitosos ao andar na rua (32%), cantadas ou comentários desrespeitosos no ambiente de trabalho (11,46%) e assédio físico no transporte público (7,78%).

Em casas noturnas, 6,24% das mulheres disseram que foram abordadas de maneira agressiva, com alguém tocando seu corpo;  5,02% foram agarradas ou beijadas à força e 3,34% relataram tentativas de abuso por estarem embriagadas.