2 de março de 2024Informação, independência e credibilidade
Brasil

Joias da Arábia Saudita que Bolsonaro queria ficar foram avaliadas em R$ 5 milhões

Perícia feita pela PF avaliou o valor total das joias que Bolsonaro fez de tudo para colocar no seu cofre pessoal

As joias que chegaram escondidas do mundo árabe, feito propina de primeiro mundo

Quatro peritos criminais federais do Instituto Nacional de Criminalística (INC) da Polícia Federal se debruçaram durante um mês e meio para periciar o pacote de joias que teriam sido presenteadas pela Arábia Saudita ao governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

O trabalho foi feito pelo Setor de Perícia em Geologia, especializado na avaliação de pedras preciosas, em Brasília, segundo revelou o repórter Elijonas Maia da CNN.

O total do pacote, que contém um colar, um relógio, brincos e anel, foi de R$ 5.086.541,34, de acordo com laudo elaborado. A CNN teve acesso às informações do documento.

O colar, com 2.061 diamantes, é a peça considerada a mais valiosa: R$ 3.365.689,00. Cada diamante tem o valor, em média, de R$ 1.633,00.

O relógio da marca Chopard foi avaliado em R$ 935.957,00.

A perícia do INC apontou também que o anel cravejado com 135 diamantes tem o valor de R$ 151.797,78.

O laudo detalha, ainda, que os brincos têm 396 diamantes e valem R$ 633.097,56. Em média, cada diamante tem valor de R$ 1,6 mil.

De acordo com fontes ouvidas pela CNN, a perícia realizou um trabalho de “microvestígios”, que considera a análise individual dos mais de 2 mil diamantes do colar, desde a produção. Essa foi a fase que levou mais tempo.

“ (O tempo de análise) depende do tipo de joias. A quantidade de gemas, o estado dos diamantes. É preciso analisar item por item, cada gema é uma análise”, detalhou uma fonte.

Após a checagem do valor de cada gema é feita a soma do valor do conjunto. No trabalho também são considerados os valores informados pela própria joalheria aos peritos. Na avaliação do relógio, até o maquinário também foi levantado.

No início de maio, dois peritos da PF participaram, na Suíça, do Workshop on Gold Traceability, promovido pela Universidade de Lausanne, e aproveitavam para visitar a fábrica da Chopard, que criou o relógio que faz parte do conjunto entregue ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No país europeu, os peritos conversaram e trocaram informações sobre a produção do objeto valioso.

O laudo ficou pronto na última terça-feira (6) e foi incluído no inquérito que corre sob sigilo na Polícia Federal de São Paulo. A PF investiga a entrada ilegal do conjunto de joias no Brasil, já que as peças não foram declaradas, conforme exige a legislação.

Valores pós-perícia
Colar R$ 3.365.689,00 (R$ 1.633,00 cada diamante, em média)
Relógio R$ 935.957,00
Brincos R$ 633.097,56
Anel R$ 151.797,78
Total: R$ 5.086.541,34

Entenda o caso

As joias foram dadas à comitiva brasileira em outubro de 2021, quando uma equipe do ex-ministro de Minas e Energia visitou a Arábia Saudita. A comitiva tentou entrar no Brasil sem declarar os itens valiosos e foram apreendidos pela Receita Federal no aeroporto de Guarulhos (SP). O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que teria tomado conhecimento dos presentes um ano após o recebimento por parte do Ministério de Minas e Energia e retenção pela Receita Federal. Bolsonaro, no entanto, afirmou que não se recorda sobre quem o informou.

Além disso, o ex-presidente disse que acionou o seu ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, para ter mais informações sobre o caso — e essa teria sido sua “única ordem” sobre o assunto. Bolsonaro nega qualquer irregularidade.

A PF investiga a participação de servidores da Presidência e da Receita Federal na tentativa de liberação das joias da alfândega. (Elijonas Maia da CNN)