Kassio Nunes Marques assume presidência do TSE em 2026 com corte alinhada

Eleição terá Lula e um Bolsonaro como prováveis candidatos

O ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no primeiro semestre de 2026, comandando o pleito que definirá o próximo presidente da República.

Ele sucederá a ministra Cármen Lúcia, cujo mandato à frente da corte eleitoral se estende até maio ou junho deste ano. Kassio tem afirmado, em conversas internas, que sua gestão terá como premissa a “mínima intervenção” do Judiciário nas disputas políticas, buscando distensionar o acirramento partidário, em um estilo oposto ao adotado por Alexandre de Moraes em 2022.

No entanto, também defende que o tribunal mantenha vigilância sobre eventuais excessos.

Composição do TSE e relações institucionais:

  • Vice-presidência: O ministro André Mendonça, também indicado ao STF por Jair Bolsonaro, será o vice-presidente. Ambos costumam votar de forma alinhada em processos de interesse de bolsonaristas.

  • Corregedoria: Até o primeiro turno, o corregedor-geral será o ministro do STJ Antonio Carlos Ferreira, que mantém boa interlocução com Kassio.

  • Demais membros: O colegiado contará ainda com os ministros Dias Toffoli (STF) e Ricardo Villas Bôas Cueva (STJ), e os advogados Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

Influência de Kassio

A eleição de 2026 deve colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente a frente com um membro da família Bolsonaro, possivelmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Embora tenha sido indicado por Jair Bolsonaro, Kassio também se aproximou do governo Lula nos últimos anos, atuando como um ministro influente em indicações para o STJ e o TRF-1.

Ele foi um dos padrinhos do juiz Carlos Pires Brandão, nomeado por Lula para o STJ em 2023, e tem trabalhado para viabilizar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo.

Kassio tem transmitido publicamente e em privado que, durante sua presidência, deve prevalecer uma postura de pouca interferência, tanto durante a campanha quanto após a votação, para evitar os chamados “terceiros turnos” no Judiciário.

Em 2023, durante o julgamento que tornou Bolsonaro inelegível, ele defendeu o sistema eletrônico de votação, mas votou pela absolvição do ex-presidente por não enxergar gravidade suficiente no caso.

Pela ordem de sucessão, Kassio ficará à frente do TSE até maio de 2027, sendo sucedido por André Mendonça. Antes das eleições, a corte ainda tem pendentes julgamentos importantes relacionados ao pleito de 2022, que podem ser apreciados ainda na gestão de Cármen Lúcia.

ÚLTIMAS
ÚLTIMAS