Lula classifica ataques à Venezuela e prisão de Maduro como ‘inaceitáveis’

Presidente brasileiro condena ação militar sem citar nominalmente os EUA e afirma que medida é uma "afronta gravíssima" à soberania

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou publicamente os ataques militares à Venezuela e a prisão do presidente Nicolás Maduro, classificando o episódio como uma ação que “ultrapassa uma linha inaceitável”.

Em publicação na rede social X, Lula afirmou que o ataque representa uma “afronta gravíssima” à soberania venezuelana e constitui “mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.

Em seu pronunciamento, Lula não citou nominalmente os Estados Unidos, país responsável pela operação segundo o presidente Donald Trump. Ele vinculou a ação aos “piores momentos da interferência na política da América Latina e Caribe” e alertou para os riscos de um cenário global de instabilidade.

“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, escreveu.

O presidente ressaltou que o episódio ameaça a preservação da região “como zona de paz” e afirmou que o Brasil condena a ação assim como tem se posicionado em casos recentes em outros países. “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, concluiu Lula.

Confira a declaração de Lula na íntegra:

Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.

Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.

A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.

A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.

Como resposta imediata, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência no Palácio do Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, interrompeu suas férias, iniciadas em 21 de dezembro, para retornar a Brasília e participar do encontro. Não há detalhes sobre a forma como o presidente Lula, que está no Rio de Janeiro, participará da discussão.

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